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O investigador da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Henrique Vorcaro Garcia, de 54 anos, investigado por crimes sexuais enquanto atuava como líder religioso em um terreiro de Belo Horizonte, voltou ao serviço após ter a tornozeleira eletrônica removida. A corporação concedeu a ele um ajustamento funcional por 90 dias, medida publicada no Diário Oficial do Estado.
Segundo apurou a reportagem, Henrique Vorcaro usou tornozeleira eletrônica entre 17 de dezembro do ano passado e a última terça-feira (12/5). O monitoramento eletrônico foi encerrado por determinação judicial.
Primo do banqueiro Daniel Vorcaro, o investigador havia sido preso no ano passado durante operação que apura crimes como violação sexual mediante fraude, importunação sexual, extorsão, ameaça e lesão corporal.
O ajustamento funcional é uma medida administrativa aplicada quando o servidor apresenta restrições temporárias para exercer integralmente as atividades do cargo. Na prática, o policial continua trabalhando, mas pode atuar com limitações definidas por perícia médica, como restrição ao serviço operacional ou mudança de função.
Conforme a publicação oficial, o ajustamento foi concedido por 90 dias a partir de 8 de maio deste ano.
Registros publicados anteriormente no Diário Oficial mostram que Henrique Vorcaro também ficou afastado por tratamento de saúde por 59 dias em 9 de março deste ano. Antes disso, ele já havia obtido licença médica por 12 dias em outubro de 2025.
Um dia antes do ajustamento funcional, ele também teve licença médica por um dia em 7 de maio de 2026.
Ainda conforme os atos oficiais, o investigador teve o porte de arma suspenso em 28 de novembro de 2025, o que pode ter contribuído para o ajustamento funcional.
Ele estava lotado no plantão da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), e dados do Portal da Transparência indicam que recebeu salário líquido de aproximadamente R$ 14,7 mil em março.
A reportagem procurou a Polícia Civil sobre as novas funções de Henrique Vorcaro e aguarda resposta.
Crimes investigados no terreiro
Henrique Vorcaro atuava como pai de santo no Terreiro de Umbanda Omolokô Ilê Axé Guian, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte.
Conforme a Polícia Civil, os crimes investigados teriam sido cometidos com a participação da mãe dele e de uma assistente, que também foi presa durante a operação.
Em nota divulgada anteriormente, a PCMG afirmou manter "compromisso com a lisura, a transparência e a responsabilização de seus integrantes".
A reportagem apurou ainda que o investigador chegou a ser alvo de um inquérito por suposto peculato relacionado a fatos de 2021, caso que foi arquivado pela Justiça após reconhecimento da prescrição.
Na época da prisão, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que não havia tido acesso integral aos autos, mas sustentou que as medidas cautelares impostas seriam irregulares.
O terreiro também divulgou nota afirmando acreditar na Justiça e defendendo que "a verdade prevaleça".