Dezenas de pessoas morreram

Tomaz Silva/Agência Brasil
Juiz de Fora, cidade da Zona da Mata mineira, enfrenta uma das maiores tragédias de sua história após intensas chuvas que resultaram em 42 mortes confirmadas e pelo menos 17 desaparecidos até quarta-feira (25). O evento catastrófico ocorreu mesmo após diversos alertas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) sobre os riscos elevados na região.
A cidade figura como a 9ª no ranking nacional com mais pessoas vivendo em áreas de risco, aproximadamente 129 mil habitantes, sendo a primeira entre municípios do interior do país. O temporal que atingiu a região entre os dias 23 e 24 registrou precipitação de 220 milímetros em apenas 12 horas, superando a média mensal de 170 milímetros.
* Juiz de Fora é a 4ª cidade com mais alertas emitidos pelo Cemaden em 2025, ficando atrás apenas de Manaus, São Paulo e Petrópolis
* Desde 2017, o Morro do Cristo, região central da cidade, já era identificado como área de alto risco para deslizamentos
* O município recebeu R$ 40 milhões em 2012 para obras em encostas e tem atualmente R$ 18 milhões previstos para conclusão de obras do PAC
* A cidade está localizada em um vale cercado por morros, com ocupação urbana tanto nas áreas baixas quanto nas encostas
* A expansão urbana resultou em ocupações vulneráveis, especialmente nas periferias
* O solo já estava saturado devido ao acúmulo de 589 mm de chuva no mês, antes do evento crítico
A professora Cássia Ferreira, coordenadora do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental da UFJF, destaca que falta estruturação de um sistema de educação ambiental, além da necessidade de instalação de alarmes, sirenes e criação de rotas de fuga nas regiões de risco.
Atualmente, existem quatro projetos em andamento dentro do PAC Seleções para prevenção de desastres em Juiz de Fora, sendo três específicos para contenção de encostas. Em 2023, foram autorizados R$ 21 milhões para obras em três bairros, porém os recursos ainda não foram liberados devido a pendências documentais.
As projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas indicam que a região Sudeste deverá enfrentar chuvas mais concentradas e intensas nos próximos anos, aumentando a probabilidade de eventos extremos como este.