“Se fosse escravo, seria caríssimo”, disse Patrick

Foto: Mirna de Moura/ TJMG
A Justiça de Minas Gerais proferiu sentença condenatória contra Patrick Silva Gomes, 28 anos, por injúria racial contra o influenciador Douglas Ferreira de Paula, 34 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2024, durante um evento onde o réu fez comentários de cunho racista sobre a aparência da vítima.
O caso ganhou repercussão após Patrick Silva Gomes abordar o influenciador e proferir comentários discriminatórios relacionados à escravidão. Segundo os relatos, o acusado se aproximou da vítima em duas ocasiões distintas, fazendo referências ofensivas sobre o valor que Douglas teria como escravo devido ao seu sorriso.
• Primeiro incidente: Patrick abordou Douglas e disse “Você tem o sorriso bonito, se você fosse escravo, você seria caríssimo”
• Minutos depois, retornou afirmando: “Eu sou formado em história e aprendi na faculdade que os negros que tinham os dentes mais bonitos eram os mais caros”
• Testemunhas presentes confirmaram o teor racista das declarações
• O estabelecimento acionou seguranças e a Polícia Militar foi chamada ao local
Na decisão judicial, o juiz José Romualdo Duarte Mendes rejeitou os argumentos da defesa, que alegava ter sido um “elogio mal interpretado” e uma “brincadeira” sob efeito de álcool. O magistrado enfatizou que as expressões utilizadas carregavam “violência simbólica extrema” e objetificavam a vítima.
A sentença determinou pena de dois anos de prisão em regime aberto, convertida em penas restritivas de direitos, incluindo prestação de serviços comunitários. Adicionalmente, Patrick foi condenado ao pagamento de multa equivalente a dois salários mínimos à vítima por danos morais.
A defesa de Patrick Silva Gomes manifestou discordância com a condenação e informou que prepara recursos, argumentando que não houve dolo específico nem intenção de ofender a vítima por questões raciais. Alegam ainda que existem fragilidades probatórias e contradições no processo.