Gari foi morto em agosto deste ano

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Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, negou durante audiência realizada nesta quarta-feira (26) ter confessado o assassinato do gari Laudemir Fernandes, de 44 anos. O empresário alegou que só admitiu o crime à polícia por ter sido ameaçado por investigadores. A sessão ocorreu por videoconferência no 1º Tribunal do Júri Sumariante, no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte.
Durante o interrogatório, que durou aproximadamente 2h30, Renê Nogueira apresentou sua versão dos fatos:
* Afirmou que policiais teriam ameaçado prejudicar sua esposa, a investigadora Ana Paula Lamego Balbina, relação sobre a qual disse não saber se ainda se mantém
* Declarou ter vivido isolado por muitos anos devido a uma doença do irmão e confirmou possuir formação universitária
* Alegou que andava armado no dia do crime por estar sofrendo ameaças de um ex-sócio supostamente ligado ao jogo do bicho
* Sustentou que ficou cerca de 30 minutos parado no trânsito antes de deixar o bairro onde mora e afirmou que “teve oportunidade de atirar em outras pessoas, mas não o fez”
O empresário responde por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual, podendo ser condenado a mais de 30 anos de prisão caso seja considerado culpado.
Na audiência anterior, realizada na terça-feira (25), foram ouvidas oito testemunhas, incluindo colegas da vítima que presenciaram o crime. Eledias Aparecida Rodrigues, de 44 anos, motorista do caminhão de lixo e uma das principais testemunhas, relatou sentir-se vítima do poder econômico do réu.
Outro colega da vítima, Thiago Rodrigues, testemunhou que a rotina de trabalho da equipe foi alterada após o incidente. Ele mencionou que os funcionários mudaram a rota anterior devido ao trauma de ter segurado o colega morrendo nos braços, e relatou sofrer com desrespeito nas ruas, incluindo pessoas que fazem piadas sobre a tragédia.
Ao final da audiência, a defesa solicitou prazo para apresentar um requerimento sobre o recolhimento de dados do celular do réu. A juíza Ana Carolina Rauen concedeu dois dias, a partir de 1º de dezembro, para a juntada de diligências complementares e novos pedidos. Renê Nogueira permanece detido no presídio de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desde 11 de agosto, data do crime ocorrido no bairro Vista Alegre.