Empresas fecham acordo de US$ 915 mi em projeto de terras raras em MG

Foto: Wikimedia Commons
A Viridis Mining and Minerals garantiu 70% da produção do Projeto Colossus em contrato com a Solvay, com início previsto para 2028 em Minas Gerais.
A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals fechou um acordo de fornecimento de terras raras com a gigante química belga Solvay, que poderá gerar uma receita mínima estimada em US$ 915 milhões entre 2029 e 2034. O contrato envolve aproximadamente 70% da produção prevista de carbonato misto de terras raras do Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas, Minas Gerais, e representa uma etapa decisiva para a viabilização comercial do empreendimento, com início de produção previsto para 2028. O acordo vinculante foi anunciado em 4 de novembro de 2026. Segundo a Reuters, os valores estimados dependem da entrega dos volumes contratados e dos preços mínimos estabelecidos para os principais minerais utilizados na fabricação de ímãs permanentes. O montante não representa pagamento antecipado nem investimento direto da Solvay na construção da mina.
O fornecimento será realizado por meio da Rhodia Operations, subsidiária do grupo Solvay, que receberá o carbonato misto de terras raras produzido no Brasil. O material será destinado à unidade industrial de La Rochelle, na França, especializada na separação e purificação desses elementos. O acordo contempla sete terras raras: neodímio, praseodímio, disprósio, térbio, samário, gadolínio e ítrio. Os quatro primeiros são especialmente valorizados pela indústria por sua utilização em ímãs permanentes de alto desempenho, presentes em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas industriais. A Solvay terá compromissos mínimos de compra, com mecanismo contratual conhecido como take-or-pay, a partir do início das operações comerciais ou de 1º de janeiro de 2029, o que ocorrer primeiro. A companhia europeia também terá o direito de apresentar a primeira oferta sobre a produção restante do Colossus até dezembro de 2034, sem obrigação automática de adquirir volumes adicionais. Um dos principais diferenciais do contrato é a definição de preços mínimos para neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. A medida cria uma proteção comercial para a Viridis diante de possíveis quedas nas cotações internacionais dessas terras raras.
Conforme explicou a CNN Brasil, o valor de US$ 915 milhões considera os compromissos mínimos de fornecimento desses quatro elementos entre 2029 e 2034, período no qual os volumes contratados representam aproximadamente 64% da produção projetada dos principais minerais magnéticos. Os preços mínimos específicos não foram divulgados pelas empresas por razões de confidencialidade comercial. Caso as cotações internacionais superem os patamares estabelecidos, a mineradora poderá obter receitas maiores. Também existe potencial de faturamento adicional com outros elementos previstos no contrato. Para um projeto que ainda depende de financiamento e construção, garantir antecipadamente um comprador industrial reduz uma das principais incertezas: a capacidade de comercializar a produção futura. A parceria também poderá ultrapassar a simples exportação de matéria-prima mineral.
As empresas negociam um acordo separado de licenciamento e serviços técnicos pelo qual a Solvay disponibilizaria tecnologia e suporte para a produção, no Brasil, de carbonato misto de terras raras mais refinado e de maior valor agregado. A possibilidade foi confirmada pela Solvay em comunicado oficial. Esse ponto tem importância para a indústria brasileira. A ampliação da capacidade de processamento nacional permitiria agregar valor ao produto antes de seu envio ao exterior, embora a separação final em óxidos individuais de alta pureza continue prevista na unidade francesa. A estratégia acompanha o movimento de diversificação internacional do fornecimento de terras raras, atualmente concentrado em grande parte na China. O acordo tecnológico, entretanto, ainda está em negociação e não representa uma transferência de tecnologia definitivamente contratada.
A Viridis vem preparando o desenvolvimento do Colossus desde a conclusão do estudo definitivo de viabilidade, divulgado em agosto de 2026. A companhia anunciou captação de capital de até US$ 120 milhões, realizou encomendas iniciais de equipamentos e contratou parceiros para a gestão de engenharia, compras e construção do empreendimento. O contrato com a Solvay reforça o planejamento comercial, mas a mineradora ainda trabalha para concluir o financiamento por dívida e alcançar a decisão final de investimento. Segundo o diretor-gerente da Viridis, Rafael Moreno, transformar a relação comercial existente com a Solvay em um compromisso vinculante representa um avanço para reduzir os riscos do projeto. A previsão é iniciar a produção em 2028 e manter o fornecimento contratado até 31 de dezembro de 2034, com possibilidade de renovação por mais cinco anos mediante acordo entre as partes. O desafio da Viridis agora será transformar o contrato de US$ 915 milhões em produção efetiva. Para Minas Gerais, o Projeto Colossus representa a possibilidade de ampliar a participação brasileira no fornecimento internacional de terras raras e desenvolver novas etapas industriais ligadas ao beneficiamento desses minerais estratégicos.



