Ultraprocessados ativam recompensa cerebral em crianças, diz pesquisa

© Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Estudo da Universidade do Sul da Califórnia mostra que ultraprocessados intensificam resposta cerebral a alimentos em crianças e elevam IMC
Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia associa o maior consumo de ultraprocessados a uma resposta cerebral mais intensa a alimentos atraentes em crianças. A pesquisa, publicada no Jama Network Open, investigou de que forma esses produtos influenciam o comportamento cerebral e a composição corporal de crianças em fase escolar. A investigação acompanhou 46 crianças entre 7 e 10 anos, todas com peso saudável no início do estudo. Os pesquisadores avaliaram a alimentação, o IMC (índice de massa corporal), a gordura corporal e a circunferência da cintura de cada participante ao longo do período de análise. Durante o estudo, os participantes realizaram exames de ressonância magnética enquanto observavam imagens de alimentos, como biscoitos e batatas fritas.
Os resultados mostraram que crianças com maior consumo de ultraprocessados apresentaram atividade mais elevada no estriado dorsal, região do cérebro associada à recompensa e à motivação. Essa resposta mais intensa nessa área cerebral também foi associada a maiores aumentos de IMC e gordura corporal após um ano de acompanhamento. Ao considerar essa atividade cerebral nos cálculos, a relação entre ultraprocessados e IMC caiu 31%, enquanto a associação com gordura corporal diminuiu 44%. Os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional e não demonstra que os ultraprocessados causem diretamente mudanças no cérebro ou ganho de peso.
Os resultados indicam uma associação entre a alimentação, a resposta cerebral a imagens de comida e as alterações na composição corporal das crianças. Os ultraprocessados incluem produtos como cereais matinais, pães industrializados e sopas instantâneas. Esses alimentos costumam conter ingredientes pouco utilizados no preparo caseiro, como adoçantes artificiais e corantes, e representam cerca de 67% das calorias consumidas por crianças nos Estados Unidos. Como próximo passo, a equipe pretende testar se oferecer opções menos processadas é capaz de alterar a resposta cerebral dos participantes diante de imagens de alimentos, aprofundando a compreensão sobre o impacto dessa dieta no desenvolvimento infantil.



