Guro é condenado a 200 anos de prisão no Quênia por morte de 191 pessoas

Foto: Wikimedia Commons
Guru queniano que induzia fiéis à inanição para "conhecer Jesus" é condenado pela morte de 191 pessoas, entre elas 190 crianças
Um tribunal do Quênia condenou, nesta sexta-feira (6), o autoproclamado pregador Paul Mackenzie a 200 anos de prisão pela morte de 190 crianças e um adulto de sua seita, que incitava os fiéis à inanição. O caso chocou o mundo desde que veio à tona, em 2023, quando centenas de corpos foram encontrados na base da seita, localizada próxima à cidade costeira de Malindi. Paul Mackenzie estimulava seus seguidores a morrer de fome para "conhecer Jesus". No mês passado, um tribunal de Mombassa já havia declarado o autoproclamado pastor e 28 coacusados culpados pelo assassinato das vítimas, mortes ocorridas entre janeiro de 2021 e setembro de 2023. Nesta sexta-feira, o tribunal anunciou a pena de 200 anos para Paul Mackenzie: 100 anos pelas acusações de homicídio e outros 100 pelas acusações de inanição. Seus cúmplices também receberam penas de prisão. O advogado de Mackenzie afirmou que apresentará recurso contra a sentença.
O Ministério Público havia solicitado a pena de morte para Paul Mackenzie, alegando o elevado número de vidas perdidas, e prisão perpétua para seus cúmplices. Francis Wanje, um professor de 62 anos que perdeu dois netos na tragédia, também desejava a pena capital. "Nada pode aliviar a dor", disse à AFP. Embora a legislação do Quênia contemple a pena de morte, o país não executa nenhuma pessoa desde 1987. Paul Mackenzie foi detido em abril de 2023, depois que alguns seguidores foram resgatados graças a um grupo de defesa dos direitos humanos que alertou as autoridades.
A operação policial posterior revelou centenas de covas rasas na propriedade da seita. As autópsias mostraram que a maioria das vítimas morreu de fome, enquanto outras, incluindo crianças, teriam sido estranguladas, espancadas ou asfixiadas. As escavações chegaram a ser temporariamente suspensas diante do crescente número de corpos descobertos, já que os necrotérios locais ficaram sem espaço. A Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quênia informou em 2024 que o número total de mortos chegava a 429. Até hoje, algumas vítimas permanecem sem identificação.



