Mojtaba Khamenei descarta mudança americana e prevê expansão de guerra

Mojtaba Khamenei - Foto: Reprodução/X
Líder iraniano Mojtaba Khamenei alerta que conflito pode se expandir e rejeita expectativas após derrota republicana nas eleições dos EUA
O Líder Supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, alertou nesta quarta-feira (4) que o conflito no Oriente Médio poderá se expandir caso os Estados Unidos retomem os ataques contra a República Islâmica. Em declaração publicada em seu site oficial, o líder descartou qualquer expectativa de mudança na política americana após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos EUA. Mojtaba Khamenei afirmou que aqueles que esperam por mudanças "estão redondamente enganados". O líder iraniano ainda não havia aparecido em público desde que assumiu o poder em março, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques israelenses e americanos. Já Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano nas conversas com Washington, avaliou que os eleitores americanos disseram "não à guerra" nas urnas. "Por consciência ou por causa do custo de vida, os americanos disseram não à guerra, e nós aprovamos essa mensagem", escreveu Ghalibaf em sua conta no X.
Durante a noite, Trump reconheceu em entrevista por telefone à emissora Fox News que a guerra contra o Irã foi "em parte" responsável pela pesada derrota de seu partido. Nos últimos dias, veículos de imprensa mencionaram a possibilidade de uma campanha militar curta e intensa após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. No fim de semana, o presidente americano declarou estar pronto para desferir um "golpe esmagador" contra o Irã. A ilha iraniana de Qeshm foi bombardeada por forças americanas na madrugada de terça-feira (3). "Se tais agressões voltarem a ocorrer, a guerra será muito mais ampla", afirmou Mojtaba Khamenei.
Após o bombardeio da ilha, Trump tentou minimizar as especulações de que estaria se preparando para retomar os ataques. "Parece que estamos conseguindo tudo o que queremos", declarou o presidente em entrevista ao Financial Times, em aparente referência às negociações com Teerã. Na véspera, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, mencionou discussões diplomáticas "muito intensas". Horas depois, Trump afirmou, em sua plataforma Truth Social, que um acordo com o Irã "poderia acontecer". O Catar, que atua como mediador no conflito, também declarou que "ambas as partes permanecem engajadas no processo de negociação".
Além do Catar, outros países tentam impulsionar uma solução negociada para o conflito, que vem provocando turbulências na economia global. A China, que mantém estreitos laços econômicos com Teerã e possui importantes interesses estratégicos no Oriente Médio, afirmou nesta quarta-feira que atua ativamente na frente diplomática para "evitar a retomada das hostilidades". Na segunda-feira (2), o presidente chinês, Xi Jinping, recebeu Haitham bin Tariq, sultão de Omã. O país árabe atua como mediador no conflito e está localizado às margens do Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, o Irã reivindica o controle dessa rota marítima estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos e tem atacado regularmente embarcações que tentam atravessá-la sem autorização.
Em resposta, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos. O Estreito de Ormuz permanece no centro da crise, embora os ataques americanos contra o Irã e os bombardeios iranianos contra aliados de Washington no Golfo tenham diminuído de intensidade nas últimas semanas. Um cessar-fogo firmado em abril pôs fim a quase 40 dias de bombardeios intensos, e um memorando de entendimento destinado a encerrar definitivamente o conflito foi assinado em junho. No entanto, o acordo mostrou-se frágil e acabou ruindo.



