Dorli Kamkhagi: ''O amor que transcende o tempo''

Dorli Kamkhagi: ''O amor que transcende o tempo''
Entre perdas, saudades e memórias, o luto nos desafia a encontrar caminhos para elaborar a dor e reconstruir a vida sem esquecer aqueles que amamos
As perdas em nossas vidas fazem parte do nosso processo de crescimento e aprendizagem.
Algumas situações vão nos preparando para que possamos desenvolver uma estrutura psíquica e emocional capaz de nos amparar diante de novas e diferentes mudanças, inclusive na possibilidade de convivermos com essas faltas, algumas das quais nos acompanham eternamente.
Quando uma criança tem certa estabilidade familiar e recebe cuidados constantes, em um ambiente no qual suas dificuldades e dores podem ser acolhidas, ela passa a desenvolver melhores condições para se relacionar com um mundo de constantes mudanças.
É a mamadeira que precisa ser retirada, a chupeta que já passou da hora de ser deixada.
Todas essas mudanças, que para algumas crianças podem ser vividas com mais tranquilidade, também podem não funcionar dessa forma.
Às vezes, ficamos presos a algum lugar que nos traz aconchego e nos protege.
Mudar de amigos na escola ou mesmo de turma, perder um lugar na família quando nasce um irmão e, dessa maneira, lidar com tantas e tantas frustrações.
Mas, em nossa vida, às vezes ocorrem tragédias ou vivências que fazem parte do que chamamos de crescimento e maturidade. É o momento em que nossos amados pais partem.
Embora saibamos que essas perdas fazem parte do nosso processo vital, nosso amor, nossas fragilidades e os legados que recebemos serão partes marcantes desse processo de lutos eternos.
A partida de um irmão, muitas vezes, nos faz sentir que uma parte de nossa própria vida também se vai com essa pessoa, que era cúmplice e guardiã de tantas vivências.
Todos os lutos são difíceis, e alguns são terríveis, como a perda de um filho. Isso é da ordem do inominável.
São vivências catastróficas que arrancam a vida desses pais.
É muito difícil, ou talvez impossível, aceitar essas perdas.
Embora o tempo, a ajuda de tratamentos e a espiritualidade possam ser caminhos na tentativa de curar dores que muitas vezes não conseguimos nem mesmo nomear.
Mas existe a vida, e ela nos pede para sobreviver e construir algo com as memórias, as histórias e esse amor eterno.
Nossos lutos podem ser um caminho de crescimento e também de ajuda a outras pessoas que tanto necessitam do nosso olhar e amor.
Um amor que transcende o tempo!
Aprendemos a conviver e a fazer dessa perda um lugar que nos permite elaborar a dor e começar, devagar e lentamente, a construir um novo espaço de possibilidades.
Dedico este artigo a todos aqueles que perderam uma pessoa amada.



