PL bate recordes históricos no Senado, assembleias e governos estaduais

Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: Breno Esaki/Metrópoleds
Partido de Flávio Bolsonaro elege maior bancada desde 1986 e domina Senado, assembleias e governos estaduais
A vitória da direita nas eleições de 2026 foi além do resultado presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Candidatos do partido bateram recordes históricos de votação na Câmara, dominaram o Senado e as assembleias legislativas, e apoiadores de Flávio são maioria entre os governadores eleitos em primeiro turno. A onda conservadora desta eleição supera os movimentos registrados em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente e arrastou aliados consigo, e em 2022, quando, mesmo com a vitória de Lula no Executivo, candidatos da direita garantiram espaço expressivo no Legislativo.
No Congresso, o PL registrou o melhor desempenho de sua história. Por Minas Gerais, Nikolas Ferreira conquistou a reeleição com mais de 3,1 milhões de votos, tornando-se o deputado mais votado do país em toda a história. Ele é seguido pelo colega de partido Lucas Pavanato, vereador de São Paulo que conquistou uma vaga na Câmara com pouco mais de 3 milhões de votos. O partido elegeu 121 dos 513 deputados federais, mantendo-se como a maior bancada da Casa. Caso se confirme a projeção feita com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), trata-se do melhor resultado de um partido desde 1986, quando o MDB assumiu 260 cadeiras. O PL terá, a partir do ano que vem, 51 deputados a mais que o PT, segundo colocado na Câmara. Em 2018, o PSL havia eleito 52 deputados; em 2022, o PL colocou 99 nomes na Casa.
O avanço do bolsonarismo também alcançou o Senado. O PL garantiu 19 das 54 cadeiras em disputa neste ano, o melhor resultado desde 1986, quando o MDB garantiu 38 cadeiras. Em 2018, o PSL, então partido de Jair Bolsonaro, elegeu apenas quatro senadores; na eleição passada, o PL garantiu oito vagas. Além de sua própria eleição, Flávio Bolsonaro se empenhou pessoalmente em eleger senadores sob a bandeira de fazer avançar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que jamais havia concorrido a um cargo eletivo, foi eleita senadora pelo Distrito Federal com quase 1 milhão de votos, tornando-se a mais votada da capital — superando a governadora Celina Leão (PP), que foi ao segundo turno com 825 mil votos. Flávio elegeu cinco dos seis senadores dos três maiores colégios eleitorais do país. Por São Paulo, estão eleitos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Por Minas Gerais, o deputado Domingos Sávio (PL) conquistou uma cadeira de senador, enquanto a segunda vaga ficou com Marília Campos, do PT. No Rio de Janeiro, a deputada Benedita da Silva (PT) foi superada por Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL). Nas assembleias legislativas e na câmara distrital, o PL também conquistou parte expressiva das vagas: uma a cada cinco cadeiras em disputa foi vencida pelo partido.
A direita indica ainda uma tendência de manter o patamar de governadores eleitos nos últimos oito anos. Dez dos 20 governadores eleitos em primeiro turno apoiam Flávio Bolsonaro, entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais. Outros cinco nomes alinhados ao presidenciável vão ao segundo turno. O resultado é semelhante ao de 2018 e 2022, quando 15 e 14 governadores que apoiaram Jair Bolsonaro foram eleitos, respectivamente. O PL elegeu cinco governadores no primeiro turno: Jorginho Mello (SC), Luciano Zucco (RS), Sergio Moro (PR), Marcos Rogério (RO) e Arthur Henrique (RR).
Em 2018, o PSL elegeu três; em 2022, o PL elegeu dois. No Acre, os dois candidatos que vão ao segundo turno, Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos), também apoiam Flávio. Já cinco governadores eleitos neste domingo apoiam Lula: Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Rafael Fonteles (PT-PI), Fábio Mitidieri (PSD-SE) e Lucas Ribeiro (PP-PB). Quatro não declararam apoio a nenhum candidato: Raquel Lyra (PSD-PE), Eduardo Braide (PSD-MA), Dr. Furlan (PSD-AP) e JHC (PSDB-AL), que recebeu apoio de Flávio na campanha, mas não retribuiu publicamente. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) apoia Ronaldo Caiado (PSD), de quem foi vice. O desempenho do PL nas eleições de 2026 consolida o partido como a maior força política do país, superando marcos históricos tanto no Legislativo federal quanto nos estados.