Lula vota em São Bernardo e mira quarto mandato no Planalto

Lula: presidente e candidato à reeleição votou na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo - Foto: Nelson Almeida
Lula votou na escola estadual João Firmino, no ABC Paulista, acompanhado de Alckmin, Tebet e Haddad
O candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou na manhã deste domingo (4) na escola estadual João Firmino, no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O petista foi ao colégio eleitoral acompanhado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), da candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) e do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT).
Caso vença as eleições deste ano, Lula exercerá o quarto mandato no Palácio do Planalto, chegando a 16 anos como presidente. Ficará atrás apenas de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, mas que só foi eleito pelo voto direto uma vez.
A campanha presidencial de Lula, assim como a de Flávio Bolsonaro (PL), escolheu São Paulo para os últimos atos eleitorais antes do primeiro turno. O estado é o maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores, e concentra parcela importante do eleitorado do Sudeste.
Para as duas campanhas, a reta final foi uma oportunidade de ampliar a votação em uma região que pode ser decisiva para a disputa. A escolha da capital como palco do encerramento também é vista como uma tentativa de acenar para os paulistas.
Na última eleição, o petista perdeu no estado de São Paulo, alcançando 44,8% dos votos válidos, contra 55,2% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 2,7 milhões de votos.
Em 2022, Lula iniciou o terceiro mandato recriando ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura, e ampliou a estrutura administrativa para 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e dos Povos Indígenas.
O petista enfrentou algumas crises nos últimos quatro anos, entre elas o escândalo de fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. O caso resultou na troca do comando do instituto, no indiciamento de ex-dirigentes do órgão e na substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.
Nos últimos dias, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a conduzir duas investigações sobre o suposto tráfico de influência do filho de Lula, Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.
Em junho, o presidente também precisou retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, houve ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e estimular investimentos.
Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como os conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos. A condução das negociações comerciais e diplomáticas, que incluiu a resposta ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump, foi um dos principais desafios do mandato.
No campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros.
Lula também enfrentou dificuldades na relação com o Congresso, sofrendo derrotas como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o STF e a derrubada de vetos, incluindo o que barrava a redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro.
Se reeleito, Lula terá a prerrogativa de indicar pelo menos outros três ministros da Suprema Corte.
Nascido em Garanhuns (PE), Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou em São Paulo como ambulante, engraxate, ajudante de tinturaria e torneiro mecânico. Aos 17 anos, em 1964, sofreu um acidente de trabalho no qual perdeu o dedo mínimo da mão esquerda.
Lula iniciou sua trajetória política no movimento sindical em 1966 e foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975.
Em fevereiro de 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e, em abril do mesmo ano, foi preso por 31 dias devido à sua atuação na liderança de movimentos grevistas no ABC Paulista.
Em 1982, acrescentou o apelido "Lula" ao nome original e candidatou-se ao governo de São Paulo, ficando em quarto lugar. Em 1986, foi eleito deputado constituinte por São Paulo, tornando-se o parlamentar mais votado do Brasil naquela ocasião.
Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, sendo derrotado por Fernando Collor de Mello (PRN) no segundo turno. Em 1994 e 1998, perdeu para Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Em 2002, foi eleito presidente após vencer José Serra (PSDB) no segundo turno. Em 2006, derrotou Geraldo Alckmin, então no PSDB, e foi reeleito.
Em 2010, Lula elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), e em 2014 anunciou apoio à reeleição dela.
Em julho de 2017, foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.
Em abril de 2018, teve a prisão decretada pelo então juiz Sergio Moro e se entregou à Polícia Federal após um ato na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Em 2021, o ministro do STF Edson Fachin anulou as condenações e tornou Lula elegível, ao considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era a instância competente para julgá-lo. O plenário do Supremo confirmou a decisão e enviou os processos para a Justiça Federal do Distrito Federal.
Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão política contra o bolsonarismo, reunindo aliados históricos e antigos adversários, entre eles o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, relator do Mensalão.
Na campanha, adotou um discurso mais ao centro, buscando diálogo com o mercado financeiro, prometeu a retomada do crescimento econômico, a redução da pobreza e a preservação da democracia, além de divulgar uma carta aos evangélicos reafirmando ser contrário ao aborto.
Lula venceu as eleições presidenciais de 2022 e retornou ao Palácio do Planalto para o terceiro mandato. O então presidente Jair Bolsonaro não participou da cerimônia de transmissão da faixa presidencial, que foi entregue ao petista por representantes da sociedade civil.
Dias depois, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Bolsonaro protagonizaram atos de vandalismo e antidemocráticos na Praça dos Três Poderes.