Lula cede e aposta em redes sociais para virar o jogo no 2º turno

Presidente Lula durante um ato político com parlamentares eleitos © Lula Marques/Agência Brasil
Aliados de Lula apostam em nova comunicação nas redes sociais e mobilização da bancada jovem para reverter desvantagem no segundo turno
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostam em uma virada na comunicação do petista para tentar reverter o resultado negativo do primeiro turno das eleições presidenciais. O chefe do Planalto passou a semana em conversas com lideranças partidárias e candidatos eleitos para colher sugestões de mudanças para a reta final da campanha contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Um dos principais problemas apontados pelo entorno do petista foi a necessidade de maior presença nas redes sociais. No segundo turno, a campanha pretende intensificar a mobilização nas ruas e no campo digital em busca de uma virada.
Mudança de postura nas redes sociais
Em reunião com parlamentares na quarta-feira (7/10), Lula cedeu aos apelos de aliados, sobretudo da ala jovem, sobre adotar novos formatos de conteúdo para as plataformas digitais. Ao longo de toda a campanha, auxiliares defendiam que o petista gravasse mais vídeos em formato de "selfie", mas ele sempre demonstrou resistência. A ideia por trás do formato é promover uma comunicação mais "olho no olho" com a população.
Na reunião, Lula ouviu conselhos dos deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSol-SP) e André Janones (Rede-MG) sobre a atuação nas redes. Segundo fontes que participaram do encontro, o presidente reconheceu não gostar desse tipo de conteúdo, mas admitiu a importância de falar de forma mais direta para as redes sociais.
Ainda de acordo com parlamentares ouvidos pelo Metrópoles, Lula brincou que acordaria cedo para "falar com celular" e prometeu fazer vídeos todos os dias. A declaração animou o entorno do petista, que prevê uma "guinada" na comunicação a partir de agora.
Só na quarta-feira, foram publicados nove vídeos em formato "selfie" no perfil oficial do petista — em três deles, ele fala sozinho para a câmera e, em outros seis, está acompanhado de deputados federais recém-eleitos. Em uma das filmagens, Lula convoca apoiadores a irem para as ruas buscar votos. Em outro, aborda os números da abstenção no primeiro turno.
"É importante nesse segundo turno você comparecer para votar porque você tem família, porque você tem filho, porque você tem neto, porque você tem o Brasil para você tomar conta. É muito importante você levantar e votar porque você vai decidir o destino do seu país", frisou o petista.
A "tropa jovem" de Lula
Para reforçar a presença nas redes, Lula conta com uma "tropa" de parlamentares jovens que dominam a linguagem das plataformas digitais. Após o resultado do primeiro turno, o deputado federal André Janones, conhecido pelo estilo beligerante nas redes, criou um canal no WhatsApp para mobilizar apoiadores em torno da campanha. Em três dias, o grupo acumulou 2,1 milhões de seguidores.
Outro nome incorporado à campanha lulista foi o da deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa. Aos 21 anos, ela recebeu 524.219 votos e ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) na disputa pela Câmara no estado. Com poucos recursos, sua campanha foi concentrada nas redes sociais, onde acumula 2,8 milhões de seguidores. Ela é uma das principais apostas para melhorar a votação de Lula em Minas Gerais, estado considerado estratégico para a reeleição, onde Flávio terminou o primeiro turno com 588.612 votos à frente do atual presidente.
A chamada "bancada jovem" discute estratégias para fortalecer a campanha de Lula no segundo turno. De acordo com a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT-PE), entre as ações adotadas estão a mobilização junto a universidades e escolas, além de iniciativas nas redes sociais. Militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rosa foi a candidata do PT mais votada em Pernambuco, aos 29 anos.
"Estamos reunindo a bancada jovem para construir uma agenda de mobilização e nortear o levante da juventude no segundo turno. Um dos primeiros pontos é a mobilização nas universidades, que já estão se movimentando", afirma a parlamentar eleita ao Metrópoles.
"Estamos construindo a nossa agenda em torno desse giro nas universidades, esse diálogo com o primeiro voto nas escolas e também, pautando junto à campanha do presidente, a importância de cada vez mais apresentar nessa eleição um projeto de futuro para a juventude, que passa por muitos pontos. A educação é um desses pontos centrais, mas que passa também pelo emprego e renda, a segurança pública", destaca Rosa Amorim.
Com a mobilização digital e o engajamento de parlamentares jovens, a campanha de Lula aposta em uma nova dinâmica para o segundo turno, buscando recuperar terreno frente a Flávio Bolsonaro nas urnas.