Flávio diz que usará "capital político" para acabar com reeleição

Flávio Bolsonaro fala à imprensa após apuração do primeiro turno da eleição (Sergio Lima/AFP)
Flávio Bolsonaro afirma que usará "capital político" do início do governo para aprovar PEC que acabe com a reeleição no Brasil
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) declarou nesta quarta-feira (7) que, se eleito, pretende utilizar o "capital político de presidente recém-eleito" para tentar aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que ponha fim à reeleição no Brasil. O candidato também reafirmou que, caso vença o segundo turno, não disputará um novo mandato em 2030. "Quando eu falo que eu sou a favor do fim da reeleição e é assim que eu vou fazer, eu vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC, para redemocratizar o nosso país nesse sentido. É para dar o exemplo", afirmou Flávio Bolsonaro. A eventual aprovação do fim da reeleição teria impacto direto na próxima disputa presidencial. Sem Flávio Bolsonaro concorrendo a um segundo mandato, Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria um dos principais nomes da direita com caminho aberto para disputar a Presidência em 2030.
Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro também teria efeitos sobre as possibilidades eleitorais de integrantes de sua própria família. A Constituição prevê a chamada inelegibilidade reflexa, que restringe a candidatura de cônjuges e parentes de até segundo grau do presidente dentro de sua jurisdição. O texto constitucional estabelece: "São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República." Essa regra precisaria ser considerada em uma eventual sucessão de Flávio Bolsonaro por integrantes da família. Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio e mulher de Jair Bolsonaro, no entanto, não possui relação de parentesco por consanguinidade com o candidato. Eleita senadora pelo Distrito Federal no último domingo (4), Michelle já apareceu nas articulações políticas sobre o futuro do bolsonarismo em 2030.
Nesse cenário, Tarcísio de Freitas também surge no horizonte da direita para 2030. O Republicanos já discutia, antes mesmo da eleição deste ano, um projeto presidencial para o governador paulista no próximo ciclo eleitoral. Em julho, o blog de Valdo Cruz revelou que integrantes do partido consideravam Tarcísio um candidato natural da legenda na próxima eleição presidencial.
A relação entre o fim da reeleição e uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas em 2030 não é novidade. Em agosto, o blog de Ana Flor informou que a campanha de Flávio Bolsonaro procurou Tarcísio para propor um pacto pelo fim da reeleição, que já alcançaria Flávio caso ele vencesse a eleição deste ano. Segundo a apuração publicada à época, a proposta foi apresentada num contexto em que a campanha buscava o engajamento do governador paulista na candidatura de Flávio Bolsonaro, que posteriormente negou a existência de um pacto negociado com o governador. Naquele mesmo período, ao lado de Tarcísio, Flávio Bolsonaro chegou a dizer que pretendia entrar para a história "nem que seja como presidente de transição".
Tarcísio, por sua vez, afirmou acreditar que Flávio, se eleito, honraria o compromisso com o fim da reeleição. Durante a campanha, o governador evitou antecipar uma candidatura ao Planalto em 2030 e, em agosto, quando questionado sobre essa possibilidade, afirmou que ainda não era hora de discutir o assunto e que seu foco estava na eleição estadual. Flávio Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que caberá ao Congresso decidir os detalhes da mudança, incluindo a duração dos mandatos e os cargos alcançados pela nova regra. "É o Congresso que vai discutir os critérios, se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. Aí é o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o caminho que tem que ser feito, a reforma política", declarou o candidato. Flávio Bolsonaro também reiterou seu compromisso pessoal, independentemente da definição do Congresso: "Não estou disputando o poder. Eu estou disputando o futuro do meu país [...]. Então, fiz o compromisso de não concorrer à reeleição." Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo no domingo (4) com 62,65% dos votos válidos, declarou que agora se dedicaria à campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno.