Flávio Bolsonaro cita Lula 14 vezes em live

EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO
Análise da transcrição mostra que Flávio Bolsonaro dedicou 67% de suas falas ao cancelamento do debate, ao Judiciário e a críticas a Lula
Flávio Bolsonaro concentrou a maior parte de suas intervenções na live realizada após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, na noite da última quinta-feira (22), em críticas às decisões judiciais relacionadas ao encontro. A análise da transcrição identifica 1.122 palavras pronunciadas por Flávio, distribuídas em 13 intervenções, o que corresponde a cerca de oito minutos de fala efetiva, sem contabilizar pausas, transições e manifestações dos convidados. Os dados levantados mostram que Flávio Bolsonaro mencionou a palavra "Lula" 14 vezes ao longo de suas falas, sendo que 13 dessas ocorrências foram classificadas como críticas ou ataques diretos ao adversário. O Judiciário, o TSE e o STF também foram alvos recorrentes, com dez manifestações críticas identificadas nas intervenções do candidato.
A classificação das intervenções pelo assunto predominante mostra que cerca de 67% das palavras pronunciadas por Flávio Bolsonaro estiveram em blocos relacionados ao cancelamento do debate, às decisões judiciais e ao que o candidato classificou como "censura". Foram aproximadamente 755 palavras dedicadas a esse conjunto de assuntos. A mobilização eleitoral, incluindo pedidos de voto e referências ao primeiro turno, respondeu por cerca de 21% da fala, com aproximadamente 234 palavras. Economia e reeleição representaram cerca de 6%; agronegócio, aproximadamente 3%.
Os demais 3% correspondem principalmente à apresentação e ao chamado dos convidados que participaram da transmissão. Logo no início da transmissão, Flávio Bolsonaro afirmou que estava preparado para seguir aos estúdios da Globo e passou a comentar decisões tomadas antes do debate. Na sequência, relacionou as medidas ao Judiciário e a Lula.
A palavra "Lula" apareceu 14 vezes exclusivamente nas intervenções atribuídas a Flávio Bolsonaro na transcrição. O levantamento não inclui as menções feitas pelos convidados que participaram da live. Pelo critério de considerar como ataque ou crítica uma afirmação contendo acusação, atribuição negativa ou crítica direta ao adversário, foram identificadas 13 ocorrências dirigidas especificamente a Lula. Uma das maiores concentrações ocorre no trecho em que Flávio Bolsonaro se dirige diretamente a Lula após voltar a falar sobre o púlpito que estaria vazio no debate. Na sequência, utiliza termos como "incompetência" e "corrupção", afirma que Lula teria evitado o debate e faz outras acusações contra o adversário. Essas manifestações foram contabilizadas separadamente quando apresentavam acusações ou críticas distintas, mesmo que aparecessem dentro de uma mesma intervenção. Outro bloco ocorre durante a discussão sobre economia. Flávio Bolsonaro afirma que Lula "só pensa em poder" e atribui ao presidente gastos de mais de R$ 350 bilhões relacionados à tentativa de reeleição, vinculando-os à inflação e ao preço dos alimentos.
O Judiciário foi o outro alvo recorrente das intervenções. Foram identificadas dez manifestações críticas dirigidas ao Judiciário, ao TSE, ao STF ou a integrantes dessas instituições. Considerando apenas as referências literais, Flávio Bolsonaro pronunciou "TSE" três vezes e "STF" uma vez. Também falou "Judiciário" duas vezes, mencionou uma vez a "Suprema Corte" e citou nominalmente Alexandre de Moraes uma vez. Entre as críticas contabilizadas estão afirmações de interferência nas eleições, referências às decisões como "censura" e acusações de que integrantes do Judiciário teriam tomado decisões para favorecer Lula. Essas declarações são apresentadas como afirmações e acusações feitas pelo candidato durante a transmissão, e não como constatações independentes desta análise. A maior concentração dessas críticas aparece na abertura da live, quando Flávio Bolsonaro comenta as decisões relacionadas ao debate, e nos trechos seguintes, ao mencionar diretamente o TSE, o STF e Alexandre de Moraes.
Flávio Bolsonaro retomou em três blocos distintos os motivos apresentados para não participar do debate. No primeiro, que ocupa parte significativa da abertura, disse que estava preparado para ir à Globo e vinculou a mudança de cenário às decisões relacionadas ao púlpito de Lula e às perguntas que poderiam ser direcionadas ao candidato ausente. No segundo momento, voltou ao assunto ao falar de uma suposta interferência do Judiciário e associou as decisões a Lula. Mais adiante, retomou a questão ao citar diretamente decisões envolvendo o TSE e o STF e voltou posteriormente ao episódio do púlpito vazio.
Depois desses blocos, a transmissão passou a abrir mais espaço para manifestações de aliados e para outros assuntos, como economia, segurança pública, agronegócio e pedidos de voto. Nas intervenções do próprio Flávio Bolsonaro, entretanto, esses temas ocuparam espaço significativamente menor do que o conjunto formado por cancelamento do debate, Judiciário, Lula e mobilização eleitoral. O levantamento considera exclusivamente as falas identificadas na transcrição como sendo de Flávio Bolsonaro. As declarações dos convidados foram desconsideradas das contagens atribuídas ao candidato. Uma crítica ou ataque foi contabilizado quando houve acusação, imputação de responsabilidade, qualificação negativa ou crítica direta a Lula, ao Judiciário, ao TSE, ao STF ou a integrantes dessas instituições. Diferentes acusações apresentadas na mesma intervenção foram contabilizadas separadamente quando expressavam críticas distintas.