A 17 dias do 2º turno, Flávio amplia alianças e Lula recalcula rota

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro © Ricardo Stuckert/PT e Vittor Sales/PL
Candidato do PL soma apoios do Republicanos e de ACM Neto, enquanto Lula ouve jovens eleitos e ajusta discurso para o segundo turno
Flávio Bolsonaro (PL) recebeu, na quarta-feira (7), o apoio oficial do Republicanos e o reforço de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, que prometeu mobilizar a Bahia, o maior colégio eleitoral do Nordeste e reduto histórico de Lula. Enquanto isso, o presidente passou o dia ouvindo jovens parlamentares eleitos, que cobram uma campanha menos centrada na defesa do legado e mais voltada ao futuro. O movimento ocorre a 17 dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O Republicanos oficializou o apoio a Flávio Bolsonaro em anúncio feito pelo presidente do partido, Marcos Pereira, em Brasília. O acordo foi articulado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Apesar da adesão, Marcos Pereira ressaltou que respeita as particularidades locais da Paraíba e de Pernambuco, onde o partido mantém alianças com o PT.
Na terça-feira (6), a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também anunciou apoio a Flávio Bolsonaro. O Novo, de Romeu Zema, igualmente oficializou a adesão. Já o ex-candidato Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-presidente Michel Temer (MDB) declararam voto no candidato do PL.
Campanha mira o Nordeste
ACM Neto (União Brasil), derrotado na disputa pelo governo da Bahia, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro na quarta-feira e prometeu mobilizar seu grupo político no estado. O vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar (PL), projetou mais de 1 milhão de votos adicionais na Bahia e afirmou que o Nordeste será prioridade na reta final da campanha. "Isso vai fazer uma diferença muito grande na Bahia", declarou. Vale lembrar que Lula obteve 5,66 milhões de votos no estado no primeiro turno.
Na quinta-feira (8), os governadores do PL na Região Sul, Sergio Moro (PR), Jorginho Mello (SC) e Luciano Zucco (RS), se reuniram em Brasília para discutir estratégias de apoio a Flávio Bolsonaro. Moro afirmou que os três estados juntos podem ajudar o país "a se livrar deste governo nefasto em Brasília".
Em Minas Gerais, o governador eleito Cleitinho (Republicanos) sinalizou que deve se encontrar com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para unir a direita mineira em torno de Flávio Bolsonaro, apesar das divergências registradas na eleição estadual.
Lula recalcula rota de campanha
Lula recebeu, na quarta-feira, jovens parlamentares eleitos com forte presença nas redes sociais, entre eles Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, Pedro Rousseff (PT-MG), de 26 anos, e Jones Manoel (PSOL-PE), para discutir a comunicação do segundo turno. Segundo Jones Manoel, a campanha "precisa falar muito mais de futuro". Ele defendeu que o foco continue em evidenciar o perigo que Flávio Bolsonaro representaria para o país, mas sem se limitar à defesa do legado do atual presidente.
Paralelamente, o Senado realizou na quarta-feira a segunda das cinco sessões de discussão da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1, com a terceira sessão marcada para quinta-feira (8). Com o calendário atual, a votação em primeiro turno pode ocorrer na quinta-feira da semana seguinte, dia 15. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), colhe assinaturas para um requerimento de calendário especial. Apesar dos esforços da base governista, senadores do PL, PP e Republicanos discutem estratégias para postergar a análise da proposta. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que não pretende adiar a primeira votação para depois de 25 de outubro, mas não descartou concluir o processo apenas após o segundo turno. Flávio Bolsonaro voltou a criticar a votação da PEC.
Com o segundo turno se aproximando, a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula se intensifica tanto no campo das alianças partidárias quanto na estratégia de comunicação, com cada lado buscando ampliar sua base de apoio nas regiões decisivas do país.