Dorli Kamkhagi: "Mundo em chamas: ainda há espaço para a esperança?''

Dorli Kamkhagi: "Mundo em chamas: ainda há espaço para a esperança?''
Diante da violência, da destruição e da desesperança, o afeto, a empatia e os vínculos entre gerações surgem como caminhos para transformar a realidade e construir um futuro melhor
É muito duro constatarmos a difícil realidade que estamos vivendo.
Muitas vezes, as notícias e manchetes acabam quase por nos deixar em um “estado de torpor”, como se fosse um mecanismo de proteção diante de tanta dor dessa “triste realidade”.
Podemos pensar que estes são tempos de desesperança.
É como se a pobreza e os assassinatos, que se tornaram tão corriqueiros, muitas vezes já não nos atingissem mais.
Será que nos tornamos insensíveis?
Ou precisamos recorrer a mecanismos de negação em vez de exercitar a empatia?
Quando nos colocamos um pouco no lugar das pessoas que atravessam sofrimentos dolorosos, uma parte de nós passa a desenvolver uma sensibilidade que acaba por nos mostrar o quanto somos vulneráveis.
O quanto o sofrimento do outro também é nosso.
A partir do momento em que percebemos e nos permitimos sentir nossas fragilidades, o mundo lá fora passa a ter uma conexão maior com nossa dimensão psíquica e emocional.
Quando vemos países do mundo serem queimados e destruídos, podemos nos perguntar o que pode ser reivindicado em nome da destruição de culturas e valores.
O que nos constitui são nossas heranças e legados, que nos foram transmitidos por nossos pais, nossas famílias e nosso pertencimento a uma determinada cultura.
A partir do momento em que não reconhecemos nossas histórias e os vínculos com aqueles que nos antecederam, acabamos por romper uma cadeia intergeracional que nos ajuda a encontrar nosso lugar em uma trajetória que transcende o tempo.
Afinal, o que pensamos, percebemos e sentimos é a matéria-prima que nos insere em um mundo de pertencimento, que pode, sim, ser transformado e melhorado.
Se não estivermos presentes e ao lado de nossos filhos, alunos e das pessoas que acreditamos serem parte de nosso processo de desenvolvimento, corremos o risco de apagar um aspecto muito importante de nossa transmissão de amor, afeto e possibilidades.
Ainda acredito que as relações de afeto, a fala e o estar juntos podem ser um caminho de esperança e possibilidade.
Em um mundo em chamas, podemos tentar um outro caminho!
Afinal, que lugar queremos deixar para as futuras gerações?
Que legados podemos transmitir?



