Ana Elisa, Janones e Pedrou Rousseff lideram campanha de 2º turno de Lula em MG

Ana Elisa, Janones e Pedro Rousseff assumem papel central na estratégia digital da campanha de Lula no segundo turno em Minas Gerais
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, ganhou papel de destaque nos primeiros dias do segundo turno da eleição presidencial, com parlamentares mineiros assumindo posições estratégicas na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a derrota no primeiro turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado, os petistas passaram a contar com nomes como Ana Elisa, André Janones e Pedro Rousseff para reforçar a mobilização digital e traçar novas estratégias de comunicação. O deputado federal André Janones (Rede-MG) criou um canal no WhatsApp chamado "Exército do Lula", que em apenas três dias reuniu 1,8 milhão de apoiadores.
Pelo canal, o parlamentar — que também teve protagonismo na campanha lulista em 2022 — envia áudios e orientações sobre como conquistar votos nas redes sociais. "Se cada um de vocês trouxer três pessoas e seguir a orientação que eu estou passando, o presidente Lula vai ganhar no segundo turno", afirmou Janones em áudio enviado aos apoiadores. Ele também anunciou que na semana seguinte teria um termômetro para avaliar a assertividade da mobilização. Ana Elisa, a parlamentar do PT mais votada nas eleições para a Câmara com 524.219 votos, também integra o grupo de destaque.
A estudante de Direito e influenciadora foi chamada pelas equipes de comunicação do PT e da campanha de Lula para apresentar novas estratégias de mobilização digital em reuniões realizadas em Brasília. Na terça-feira (7/10), ela se reuniu com o vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), e também tinha agendas previstas com Lula. Sua entrada na campanha veio acompanhada de críticas ao entorno do petista. "Se a esquerda não dominar as redes sociais, nós vamos perder. Eu tenho dito isso desde o início. Dá tempo de dominarmos as redes sociais, porque as redes têm memória fraca. Esse resultado de hoje não determina nada", disse Ana Elisa em entrevista concedida logo após o resultado do primeiro turno. "A esquerda errou. Errou e eu tenho dito isso desde minha pré-campanha", acrescentou.
O vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff também usou as redes sociais para criticar a comunicação da campanha de Lula e cobrar propostas concretas para o segundo turno, especialmente em temas nos quais, na sua avaliação, o PT sai enfraquecido no debate com o PL. "É lógico que tem que mudar as redes sociais. A campanha política mudou o jeito que se faz, a política tradicional morreu", disse em vídeo, cobrando posicionamentos firmes sobre contenção no aumento do preço de alimentos, crise no STF e endurecimento das leis de segurança. "O povo quer saber diretamente como o Lula vai fazer para aumentar a segurança pública. Temos que falar, sim, de aumento de pena para a bandidagem", complementou Rousseff.
Além desses nomes, outros quadros da esquerda mineira também participam dos debates em Brasília, como a senadora eleita Marília Campos (PT), a deputada federal eleita Bella Gonçalves (PT) e a ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL), que foi derrotada na disputa ao Senado, somando 2,6 milhões de votos. Em Minas Gerais, Lula foi derrotado por Flávio Bolsonaro no primeiro turno por uma diferença de 588.612 votos, com percentuais de 48,24% para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro contra 43,33% para o petista. O resultado reforça a importância estratégica do estado para a definição do pleito presidencial.