PE: PT monta operação para evitar ataques a Raquel Lyra em ato com João Campos

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - Foto: Reprodução/Rede Vanguarda
PT monta operação para evitar ataques a Raquel Lyra e Janja é aconselhada a não discursar em Pernambuco
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva montaram uma operação para evitar ataques contra a governadora Raquel Lyra (PSD) durante a visita do petista a Pernambuco nesta sexta-feira. Dentro dessa estratégia, a primeira-dama Janja da Silva foi aconselhada a não discursar para que não abordasse o episódio da laqueadura. A presença de membros da coordenação da campanha foi reforçada justamente para convencer Lula a não cometer um arroubo no palanque ao lado de seu candidato, o ex-prefeito João Campos (PSB). A avaliação na cúpula petista é que Raquel Lyra não pode ser empurrada para o lado de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha. A disputa em Pernambuco está bastante acirrada.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostrou um cenário de empate técnico, com a atual governadora registrando 48% das intenções de voto e João Campos com 44%. Os dois candidatos têm trocado ataques duros, e há um receio de que João Campos convença Lula a criticar a governadora. A cúpula petista aconselha o presidente, considerado um cabo eleitoral forte em seu estado de origem, a apenas exaltar o seu candidato. Raquel Lyra não tem tomado partido na disputa presidencial, tampouco ataca o governo federal, e tem feito gestos a Lula. Uma das preocupações dos aliados do presidente é que Janja, se discursar como tem feito em atos pelo país, cite o vídeo em que a governadora sugere a realização de uma laqueadura em uma mulher sem que ela soubesse da cirurgia. As imagens foram gravadas em maio de 2025, durante a inauguração de uma UTI em Garanhuns, e vieram à tona no último domingo.
A defesa do direito das mulheres é um tema que a primeira-dama costuma abordar nos atos políticos de que participa. Por isso, a avaliação é que ela não deveria discursar em Pernambuco. João Campos usou o episódio da laqueadura para atacar Raquel Lyra, que se desculpou pela fala. Lula aceitou ir a Pernambuco depois de muita insistência de João Campos, que também é presidente nacional do PSB. Aliados do petista dizem que não daria para correr o risco de ver Campos colocar a culpa no presidente por uma eventual derrota. O cenário indica que a eleição no estado deve ser decidida no segundo turno. O PSB é o principal partido aliado do PT, além de ter indicado Geraldo Alckmin como vice da chapa. A ida de Lula a Pernambuco foi considerada por aliados de João Campos uma vitória contra o ex-ministro Rui Costa. O ex-chefe da Casa Civil é apontado como o principal interlocutor e aliado da governadora no governo federal.
Costa trabalhava por um palanque duplo do presidente no estado. A campanha também montou uma operação semelhante para a passagem de Lula por Alagoas na quinta-feira. Segundo relatos de interlocutores, foi feito contato com Arthur Lira (PP-AL) para afirmar que não haveria nenhum ataque direcionado a ele durante a visita do presidente ao estado e que o ex-presidente da Câmara não é considerado um adversário político. Lira e o clã Calheiros são adversários ferrenhos no estado, e Lula viajou a Alagoas após pedido do senador Renan Calheiros (MDB), que busca a reeleição, e do senador Renan Filho (MDB), que disputa o governo do estado. Petistas avaliam que é preciso evitar qualquer mal-estar com lideranças de partidos do centro após uma fala de Lula no Piauí no começo do mês. Em visita ao estado, o petista afirmou que não aceita "vira-latas" ao falar da disputa ao Senado, o que foi interpretado como uma indireta a Ciro Nogueira, presidente nacional do PP que busca a reeleição. Havia um pacto informal de não agressão — que petistas negam. Apesar de ter sido ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, Ciro conduziu o PP à neutralidade no primeiro turno e ficou distante da campanha de Flávio Bolsonaro, em um cálculo que também buscava evitar entrar em choque com a popularidade de Lula no Piauí — o presidente teve 76,8% dos votos válidos no segundo turno em 2022.