"Dilma Bolada" teria iniciado boato sobre padroeira, diz campanha de Flávio

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Campanha de Flávio Bolsonaro aponta perfil "Dilma Bolada" como origem do boato sobre Nossa Senhora Aparecida
A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) identificou que o perfil "Dilma Bolada", de autoria de Jeferson de Oliveira Monteiro, foi o ponto de origem do boato de que o presidenciável pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Segundo a equipe de monitoramento, a publicação foi feita às 21h50 de quarta-feira (23/9) e, a partir dali, uma onda de distorções se espalhou rapidamente nas redes sociais. O post original dizia: "Católico não vota em nenhum Bolsonaro e em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!". Apesar da determinação do ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ordenou a exclusão do conteúdo e de publicações semelhantes, o post seguia disponível no X neste sábado (26/9).
Seis minutos após a publicação do "Dilma Bolada", surgiu uma segunda postagem identificada pela equipe de Flávio. O usuário @waglegal10 escreveu: "se for eleito, o senador Flávio terá que lidar com uma forte cobrança de uma ala de seus apoiadores. Representantes de grupos evangélicos prometem fazer pressão para retirar de Nossa Senhora Aparecida o posto oficial de padroeira do Brasil". A desinformação ganhou ainda mais força na tarde do dia seguinte, por volta das 20h13, quando o canal GloboNews levou ao ar um comentário de jornalista afirmando que um grupo evangélico estaria se mobilizando contra o título da padroeira. Horas depois, o canal emitiu um comunicado reconhecendo o erro e pediu desculpas. A campanha de Flávio também obteve decisão no TSE para retirar do ar mais de 1 mil publicações que propagavam a informação falsa. Apesar dos desmentidos, influenciadores ligados ao governo continuaram reforçando a desinformação.
O coordenador da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, George Marques, republicou um post que incentivava a continuidade da disseminação do boato. "Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte", dizia a publicação, que depois foi apagada. A campanha de Flávio chegou a pedir a prisão de Marques. Embora o erro da GloboNews não tivesse citado diretamente o nome do candidato, um dos posts com maior visibilidade atrelava Flávio Bolsonaro à informação incorreta do canal. Com mais de 2 milhões de visualizações em menos de 24 horas, o post do usuário @vitor_dlucca compartilhava parcialmente a informação da GloboNews e afirmava ser um "absurdo o que estes bolsonaristas estão tentando fazer".
Catorze minutos depois, o usuário @CarlosPortoRJ escreveu: "Eu custei a acreditar que Flávio Bolsonaro vai tirar Nossa senhora aparecida como padroeira do Brasil. Mas acabou de sair na GloboNews essa notícia. Isso é algo tão grave e sem precedentes. É o maior ataque aos católicos do Brasil". Essa publicação acumulou mais de 2,4 milhões de visualizações. O monitoramento da campanha de Flávio Bolsonaro também detectou que Lázaro Rosa, um dos militantes mais ativos da rede governista, fez 12 publicações com informações distorcidas, mesmo após os desmentidos. "Rapaz, que absurdo é esse? Grupo de evangélicos quer, através de um projeto de lei, tirar a Nossa Senhora da Aparecida como padroeira do Brasil. Não duvido desse projeto ser aprovado em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, candidato apoiado por eles", escreveu. O projeto de lei mencionado nas publicações está arquivado há quase 20 anos.
O texto foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal mato-grossense Victório Galli, filiado ao MDB. A proposta pretendia alterar trechos da lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, substituindo a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O projeto foi arquivado em agosto de 2008, por recomendação do relator na Comissão de Educação e Cultura, o então deputado Átila Lira, que apontou "total falta de amparo constitucional" na proposta. Na tarde do dia 24, o próprio perfil "Dilma Bolada" publicou uma imagem na qual Flávio Bolsonaro era representado como uma serpente com a cabeça pisada por uma santa.
A equipe do candidato do PL listou 29 perfis como disseminadores da informação falsa. O perfil "Dilma Bolada" ficou conhecido a partir de 2013 por fazer uma sátira positiva da então presidente Dilma Rousseff (PT), tendo atuado pela reeleição da petista em 2014. Em seu acordo de delação premiada, Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, afirmou ter pago R$ 200 mil a Jeferson Monteiro via caixa 2. Ele negou a informação, e Dilma, na época, afirmou que o casal prestou falso testemunho. No início do atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o publicitário recebeu um cargo na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mas foi demitido em agosto de 2023, após cinco meses no posto, depois de realizar uma viagem particular para a Europa fora do período de férias.