Eleições: 60% dos vereadores de BH disputam vagas na ALMG ou Câmara

Foto: Câmara de BH/Divulgação
60% dos parlamentares da capital mineira disputam vagas na ALMG ou na Câmara dos Deputados menos de dois anos após serem eleitos
Menos de dois anos após serem eleitos para a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), 25 dos 41 vereadores da capital mineira voltarão às urnas em 2024, desta vez disputando vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ou na Câmara dos Deputados. O levantamento, baseado nas candidaturas oficializadas nas convenções e encaminhadas à Justiça Eleitoral, revela que 60% dos parlamentares de BH estão em plena campanha eleitoral.
O cenário é semelhante ao de 2022, quando 24 vereadores disputaram as eleições. Naquele ano, apenas seis conseguiram se eleger, o equivalente a 25% dos que concorreram. Dos eleitos, três assumiram mandatos de deputado estadual e três, de deputado federal. Não é incomum que um vereador consiga "pular" diretamente da Câmara Municipal para a Câmara Federal. O cargo pode servir de "trampolim" para posições mais elevadas, especialmente para aqueles que já obtiveram expressiva votação logo na primeira eleição, como ocorreu com Duda Salabert (PSOL) e Nikolas Ferreira (PL).
Em 2020, Duda e Nikolas foram os vereadores mais votados de BH, com 37.613 e 29.388 votos, respectivamente. Em 2022, já filiado ao PL, Nikolas se tornou o campeão de votos para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, com 1.492.047 votos. Duda, então no PDT, ficou em terceiro lugar, com 208.332 votos, atrás de André Janones, que buscava a reeleição com 238.967 votos. Entre os sete vereadores que disputam uma vaga na Câmara dos Deputados neste ano, nenhum esteve entre os cinco mais votados em 2024. Já o vereador mais votado na última eleição, Pablo Almeida (PL), com 39.960 votos, disputa uma cadeira na ALMG. A escolha se explica pelo fato de Nikolas Ferreira, seu padrinho político e ex-chefe, ser candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, evitando assim uma disputa direta entre os dois.
Até o fim de setembro, 60% dos parlamentares da capital mineira estão em campanha. Questionado sobre o impacto dessa situação nos trabalhos da Câmara, o presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos), que também está em campanha por uma vaga na Assembleia, garantiu que não haverá mudanças em relação a pautas e projetos. "Comissões irão funcionar normalmente, com audiências e visitas técnicas", afirmou.
Caso um vereador seja eleito, o suplente do respectivo partido assume a cadeira na Câmara Municipal. Parte desses suplentes já está engajada nas campanhas dos titulares, movimento natural considerando que muitas vezes ambos fazem parte do mesmo grupo político. É o caso de Marcos Crispim (DC), que pode assumir a vaga de Flávia Borja, eleita pelo DC em 2024 e hoje no Podemos, caso ela se torne deputada estadual. Crispim, que recebeu 8.727 votos no último pleito e é o primeiro suplente, confirmou seu apoio à vereadora, mas ainda não decidiu se deixaria o cargo atual de coordenador de Vilas e Favelas da Prefeitura de Belo Horizonte em caso de vacância. "Tenho um sonho de transformar a BH para além da avenida do Contorno. Onde eu puder ser mais útil neste objetivo é onde eu pretendo estar. Estamos analisando neste sentido", disse. O próximo suplente do partido é Preto do Sacolão, com 4.691 votos.
Rubão, primeiro suplente do Podemos, apoia a candidatura de Juliano Lopes e retornaria ao Legislativo caso o presidente da Câmara seja eleito. Situação semelhante à de Miltinho (PDT), que faz campanha por Bruno Miranda. Sobre a legalidade do processo, Paravizo explica que "a existência de suplentes é justamente para dar continuidade ao mandato. O suplente que assume não foi a primeira escolha individual do eleitor, mas foi legitimado pela votação da chapa". A legislação permite que vereadores disputem outros cargos sem necessidade de renúncia.