Flávio Bolsonaro teve filiação ao Missão feita de dispositivo em BH

Relatório do Partido Missão aponta que filiação indevida de Flávio Bolsonaro partiu de dispositivo associado a Belo Horizonte
A filiação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Partido Missão, que impediu temporariamente o registro de sua candidatura à Presidência da República, foi realizada a partir de um dispositivo eletrônico associado ao bairro Santo André, na região Noroeste de Belo Horizonte. A informação consta em relatório técnico apresentado pelo próprio Partido Missão, colocando Minas Gerais no centro das investigações sobre a alteração que vinculou o senador à legenda. O dado, no entanto, deve ser interpretado com cautela. A localização indicada pelo endereço de IP, por si só, não permite afirmar que a operação foi realizada fisicamente naquele ponto da capital mineira, já que configurações de IP podem ser alteradas ou mascaradas.
Segundo o relatório do Missão, o cadastro foi realizado em 2 de agosto, às 9h05min36s. Foram inseridos dados atribuídos a Flávio Bolsonaro, mas a legenda aponta inconsistências relevantes: - O CPF informado não corresponderia ao senador e seria inválido, enquanto o título de eleitor teria sido reconhecido pelo sistema eleitoral. - O endereço registrado no cadastro era "Rua dos Bandidos, número 666, bairro Miliciano, Rio de Janeiro", endereço que, segundo o partido, não existe. - O relatório identificou o endereço de IP utilizado na operação, associando o acesso à região do bairro Santo André, em Belo Horizonte. - Foram feitas duas tentativas de pagamento de R$ 4.789,68, referentes à contribuição prevista no processo de filiação, ambas recusadas. O relatório foi apresentado nesta quinta-feira (13) durante uma live do deputado federal Kim Kataguiri e do secretário-geral da legenda, Victor Couto. Segundo os dirigentes, o partido entregou às autoridades as informações técnicas que podem ajudar a identificar o responsável pela operação.
O Tribunal Superior Eleitoral informou que o episódio não foi provocado por um ataque hacker ao sistema de filiação partidária. A hipótese investigada pelo TSE é de utilização indevida da ferramenta por alguém que possuía credenciais do próprio Partido Missão para efetivar filiações. O presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, determinou a abertura de inquérito para apurar quem utilizou essas credenciais e em quais circunstâncias. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral, que deverá analisar os registros digitais apresentados pelo partido, incluindo o IP associado ao cadastro. Victor Couto afirmou que o sistema interno do Missão identificou as divergências entre os dados cadastrados e as informações encontradas no sistema eleitoral. A legenda afirma que tentou realizar a reversão da filiação, mas recebeu uma resposta com código 403, indicando falta de permissão para acessar o recurso. O partido sustenta que o procedimento de envio das filiações ao TSE é automatizado e que a tentativa de reversão também ocorreu por meio do sistema.