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Donald Trump embarcou rumo a Pequim nesta quarta-feira para sua primeira visita à China como presidente, levando consigo uma delegação de CEOs de grandes empresas americanas, entre eles Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia. O objetivo declarado de Trump é pressionar o líder chinês Xi Jinping a "abrir o mercado" para as companhias dos Estados Unidos, em meio a um cenário de tensões comerciais e diplomáticas entre as duas maiores economias do mundo.
A presença de Huang na comitiva é especialmente simbólica, já que a Nvidia enfrenta dificuldades para obter autorização regulatória para vender seus potentes chips de inteligência artificial H200 na China. Segundo uma fonte que falou sob condição de anonimato, Trump convidou o executivo de última hora para integrar a viagem, e ele foi visto por repórteres da Casa Branca embarcando no Air Force One durante uma parada para reabastecimento no Alasca.
Em uma postagem no Truth Social, Trump deixou claro suas intenções para a cúpula: "Vou pedir ao presidente Xi, um líder de extraordinária distinção, que "abra" a China para que essas pessoas brilhantes possam fazer sua mágica". O presidente acrescentou: "Farei disso meu primeiro pedido." Os CEOs que integram a delegação são, em sua maioria, representantes de empresas que buscam resolver pendências comerciais com Pequim.
Enquanto Trump se preparava para a viagem, seu principal negociador comercial, Scott Bessent, encerrava conversações com autoridades chinesas na Coreia do Sul, com o objetivo de preservar o frágil acordo comercial firmado entre os dois países no ano passado. A visita acontece em um momento em que Trump busca recuperar popularidade abalada pelo conflito com o Irã e conquistar vitórias econômicas no cenário internacional. A agenda de dois dias em Pequim prevê uma grande recepção no Grande Salão do Povo, uma visita ao Templo do Céu, patrimônio da UNESCO, e um banquete de Estado.
Além das questões comerciais envolvendo empresas como a Nvidia, as negociações devem abordar temas sensíveis como a guerra no Irã e a venda de armas americanas a Taiwan. Espera-se que Trump peça à China que pressione Teerã a chegar a um acordo com Washington, embora o presidente americano tenha afirmado não acreditar que precisaria da ajuda chinesa para isso.
A questão de Taiwan também deve gerar tensão. A China reiterou nesta quarta-feira sua forte oposição à venda de armas dos EUA à ilha, incluindo um pacote de US$ 14 bilhões que ainda aguarda aprovação de Trump. Os Estados Unidos são obrigados por lei a fornecer a Taiwan os meios para se defender, mesmo sem manter relações diplomáticas formais com o território.
Do lado chinês, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, respondeu à publicação de Trump afirmando que Pequim está pronta para "ampliar a cooperação, administrar as divergências e trazer mais estabilidade e certeza a um mundo turbulento". A visita é a primeira de um presidente americano à China em quase uma década, e as expectativas em torno dos resultados são elevadas tanto no campo comercial quanto no diplomático.