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O presidente Lula descartou lançar a ex-prefeita de Contagem (MG) Marília Campos como candidata do PT ao governo de Minas Gerais. De acordo com apurações do Metrópoles, o chefe do Executivo optou por manter Marília Campos na disputa por uma vaga ao Senado em 2026. A ex-prefeita chegou a ser sondada para concorrer ao Palácio da Liberdade, mas recusou a possibilidade após avaliar que uma eventual gestão no estado exigiria ajuste fiscal, contenção de gastos e arrocho sobre salários de servidores públicos. Segundo ela, esse cenário não teria respaldo político dentro do PT.
A decisão ocorre em meio à incerteza do grupo governista sobre quem representará o campo alinhado ao presidente Lula no segundo maior colégio eleitoral do país. Marília Campos afirmou que Lula já tem um nome para a disputa ao governo mineiro: o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, filiado ao PDT. Marília Campos havia sido sondada pela então ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em novembro do ano passado, mas declinou do convite.
Segundo ela, Minas Gerais enfrenta dificuldades estruturais tanto na arrecadação quanto nas despesas, o que limitaria a capacidade de ampliar investimentos sem a adoção de medidas de contenção de gastos. "O Estado de MG tem um perfil sindical. Qualquer política de austeridade iria na contramão do PT e retiraria meu apoio político", afirmou Marília Campos ao site Metrópoles.
A petista aponta dois obstáculos centrais na área fiscal de Minas Gerais. Do lado das receitas, ela afirma que a Lei Kandir reduz a arrecadação estadual ao isentar a cobrança de ICMS sobre exportações de produtos primários, como café e minério de ferro. Já no campo das despesas, Marília Campos cita a dívida de cerca de R$ 182,1 bilhões do estado com a União e afirma que a situação fiscal limita a capacidade de investimento de Minas aos acordos firmados com mineradoras para ações de reconstrução em Brumadinho e Mariana. Com a saída de Marília Campos da disputa pelo governo estadual, o PT segue sem um nome consolidado para enfrentar as eleições de 2026 em Minas Gerais, estado estratégico para o campo político alinhado ao presidente Lula.