Advogado deixa defesa de Ciro Nogueira após operação da PF
Escritório do advogado Kakay anuncia saída da defesa do senador Ciro Nogueira após operação da PF que investiga fraudes ligadas ao Banco Master
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) anunciou a troca de sua equipe de defesa jurídica após se tornar alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (7/11).
A operação investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, e a mudança de advogados foi confirmada pelo próprio escritório responsável pela defesa até então.
O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados divulgou nota à imprensa nesta segunda-feira (11/5) informando o encerramento da representação do senador. Um dos sócios da banca é o advogado Antônio Carlos Almeida Castro, conhecido como Kakay. Ele afirmou que a saída ocorreu "em comum acordo", sem fornecer maiores detalhes sobre os motivos da decisão.
Presidente nacional do Progressistas (PP) e ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira é investigado por supostamente receber mesadas de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a PF, os repasses teriam como objetivo fazer com que o senador atuasse em favor dos interesses do banqueiro nos bastidores da política, inclusive articulando a aprovação de legislação favorável à instituição financeira.
Entre os pontos centrais da investigação, a PF aponta que uma emenda parlamentar apresentada por Ciro Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido elaborada pela própria assessoria do Master e entregue impressa na residência do parlamentar.
De acordo com os investigadores, a proposta foi protocolada no Senado em 2024 após articulação direta de Daniel Vorcaro, que, segundo a PF, chegou a afirmar que o texto "saiu exatamente como mandei".
Os investigadores também relatam que, em novembro de 2023, meses antes do protocolo da emenda, Daniel Vorcaro teria determinado a retirada de outros envelopes da residência de Ciro Nogueira. Esses envelopes continham minutas de projetos legislativos de interesse do banco. Para a PF, esses elementos reforçam a suspeita de uma proximidade operacional entre o parlamentar e o grupo investigado.
A defesa de Ciro Nogueira, que até então era conduzida pelo escritório de Kakay, negou as irregularidades apontadas na operação e questionou o uso de mensagens de terceiros como base para as investigações policiais. Com a saída do escritório, o senador deverá constituir nova representação jurídica para dar continuidade à sua defesa.



