
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
A Polícia Federal evitou entrar no mérito das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e reforçou que a responsabilidade pela dosimetria é exclusiva do Supremo Tribunal Federal. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (11) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e pelo diretor de cooperação internacional, Felipe Seixas, durante agenda na França, onde as autoridades participam de reuniões com a Interpol e firmam acordos de cooperação internacional.
Ao comentar o debate sobre a dosimetria das penas, Andrei delimitou o papel da instituição. Segundo ele, cabe à Polícia Federal a coleta de provas e a conclusão das investigações, enquanto a definição das punições é responsabilidade do Judiciário. "A dose das penas está nos próprios autos e é definida por um colegiado de ministros", afirmou. Ele acrescentou que a discussão já não está mais no âmbito da PF e que o trabalho da corporação foi concluído.
Sobre o caso Banco Master, o diretor da Polícia Federal afirmou que as investigações seguem sem considerar posição política ou cargo dos envolvidos. Segundo ele, a atuação da PF tem como foco atingir lideranças e estruturas financeiras relevantes. "O nosso alvo é o andar de cima do crime", disse, ao destacar operações que envolvem valores bilionários e investigados com alta capacidade econômica. Ele reforçou que o objetivo é a responsabilização dos envolvidos, independentemente de função ou influência.
Na França, Felipe Seixas anunciou a assinatura de um acordo com a Polícia Nacional francesa voltado ao enfrentamento do crime organizado transnacional. De acordo com Seixas, a agenda inclui reuniões com o presidente da Interpol, o secretário-geral da organização e o embaixador do Brasil na França. O objetivo é fortalecer a troca de informações e a atuação conjunta entre os países.
Andrei afirmou que a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de articulação, que envolve forças de segurança em todo o país e parcerias internacionais. Segundo ele, o governo brasileiro pretende ampliar a cooperação com países que tenham o mesmo foco no combate ao crime organizado.
O diretor também ressaltou que a classificação de facções criminosas como organizações terroristas não foi discutida na recente agenda entre Brasil e Estados Unidos, corroborando a posição já manifestada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Rodrigues, o presidente apresentou a lideranças internacionais um conjunto de propostas que inclui o enfrentamento ao crime como ponto de interesse comum, e a presença da Polícia Federal na França reforça esse direcionamento.