
Embarcação "Madleen" da Freedom Flotilla (Flotilha da Liberdade) navegando em direção à Faixa de Gaza - © gazafreedomflotilla/Instagram/Arquivo
Todos os membros da flotilha humanitária para Gaza, interceptada na terça-feira (19/5) pela marinha israelense, foram expulsos de Israel, conforme anunciou o Ministério das Relações Exteriores do país na quinta-feira (21/5). A operação, que reuniu 430 militantes de 40 nacionalidades a bordo de 50 navios, gerou uma crise diplomática internacional após o tratamento dispensado aos detidos.
Antes de serem levados à prisão, os militantes foram obrigados a se ajoelhar, enfileirados e com as mãos amarradas nas costas, na presença do ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. O comportamento do ministro de extrema direita, que caminhou entre os militantes amarrados, provocou reações de indignação em diversos países.
Expulsões e repatriações
Trinta e sete cidadãos franceses foram expulsos para a Turquia, conforme declarou Pascal Confavreux, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França. Coreia do Sul, Espanha e Irlanda já haviam anunciado anteriormente a libertação de seus cidadãos. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, havia informado que o país planejava organizar voos especiais partindo de Israel para repatriar seus cidadãos e também militantes de países terceiros que estavam detidos.
Reações internacionais
França, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha e Canadá anunciaram na quarta-feira (20/5) a convocação dos embaixadores israelenses. Polônia e Reino Unido se juntaram à lista na quinta-feira. "Esse comportamento viola as normas mais básicas de respeito e dignidade humana", declarou o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido em comunicado.
"Estamos também profundamente preocupados com as condições de detenção descritas e exigimos explicações das autoridades israelenses", acrescenta a nota. Itália e Polônia exigiram desculpas formais de Israel, e a Polônia chegou a pedir que a entrada de Itamar Ben-Gvir em seu território fosse proibida.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, declarou que Itamar Ben-Gvir "traiu a dignidade de sua nação". O próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descreveu o tratamento dado aos militantes como "não conforme aos valores e normas israelenses", e Itamar Ben-Gvir também foi alvo de críticas dentro da coalizão governista.
Relatos de violência na detenção
O jornalista italiano Alessandro Mantovani, um dos militantes separados dos demais e repatriado mais cedo por avião, declarou ter sido espancado ao chegar ao centro de detenção israelense, que descreveu como um "lugar de terror". "Me bateram, me deram chutes nas pernas e socos no rosto. São pessoas que sabem o que fazem, então não tenho marcas visíveis importantes (...) Eles batiam em você e diziam "Bem-vindo a Israel"", contou ele aos jornalistas ao chegar ao aeroporto de Roma.
Outro militante italiano, Dario Carotenuto, deputado do Movimento 5 Estrelas, afirmou ter recebido um soco no olho e chutes durante sua detenção. O Ministério das Relações Exteriores de Israel não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre essas alegações.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou-se "consternado" com o tratamento infligido por Itamar Ben-Gvir aos membros da flotilha humanitária. Um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que os responsáveis prestem contas.
As embarcações da flotilha Global Sumud — cujo nome significa "perseverança" em árabe — haviam partido pela terceira vez na quinta-feira anterior do sul da Turquia, após tentativas anteriores frustradas. O objetivo da missão era fornecer ajuda humanitária aos habitantes de Gaza, que enfrentam uma grave crise.