
Bandeira nacional do Irã
Os esforços para encerrar a guerra do Irã se intensificam com a chegada esperada do comandante do exército paquistanês à capital iraniana, em mais uma tentativa de mediação entre Teerã e Washington. Na véspera da visita, Donald Trump alertou que as negociações estavam "no limite", entre fechar um acordo e retomar os ataques militares. O conflito, que abalou a economia global, teve início em 28 de fevereiro com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Desde 8 de abril, um frágil cessar-fogo interrompeu as hostilidades, mas as trocas de declarações entre as partes continuam.
O comandante do exército paquistanês, Asim Munir, deve chegar a Teerã para "continuar as negociações com autoridades iranianas", segundo a agência de notícias Isna e outros veículos de comunicação, sem fornecer mais detalhes sobre a agenda. O Paquistão vem intensificando os esforços de mediação entre Teerã e Washington nos últimos dias. O ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, viajou ao Irã duas vezes para transmitir a proposta mais recente dos Estados Unidos para encerrar o conflito — proposta que o governo iraniano afirma estar considerando. Mesmo assim, a República Islâmica manteve suas exigências: o "desbloqueio dos ativos iranianos" no exterior e o fim do bloqueio aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril. Além disso, Teerã insistiu que "jamais cederá à intimidação". A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do país, ameaçou estender a guerra "muito além da região" caso o Irã seja atacado novamente.
Trump pressiona por acordo. Até o momento, houve apenas uma rodada formal de negociações, em 11 de abril no Paquistão, que se mostrou infrutífera. Desde então, as conversas ocorrem nos bastidores. "Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo, ou tomaremos medidas mais duras", declarou Trump na quarta-feira. As negociações estão "no limite, acreditem", disse ele. Para o republicano, um acordo com o Irã economizaria "muito tempo, energia e vidas", e ele acredita que poderia ser alcançado "muito rapidamente, ou em poucos dias". Em meio às expectativas de resolução do conflito, os preços do petróleo recuaram, embora permaneçam em torno de 100 dólares o barril, bem acima dos níveis anteriores à guerra.
Divergências entre Trump e Netanyahu. A imprensa americana noticiou divergências de estratégia entre Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Os dois tiveram uma conversa tensa por telefone na terça-feira e, segundo a CNN e a CBS, Trump foi bastante enfático: Netanyahu "fará o que eu quero que ele faça", teria dito o presidente americano. Isso indica, de acordo com esses veículos, que Washington segue pressionando por uma solução diplomática, enquanto Israel prefere retomar os combates. "Um cenário que é um pesadelo para Netanyahu: um acordo que [...] poderia até mesmo acabar com a guerra", comentou Danny Citrinowicz, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv, na rede X. Israel busca, a longo prazo, derrubar a República Islâmica, seu arqui-inimigo, enquanto, "para os Estados Unidos, a prioridade sempre foi impedir a nuclearização [do Irã], mesmo que isso signifique alcançar um acordo com o regime" dos aiatolás, observou o especialista. O governo americano também enfrenta pressão interna, já que o conflito é bastante impopular na opinião pública.
O fechamento do estratégico Estreito de Ormuz pelo Irã provocou uma disparada nos preços dos hidrocarbonetos e gerou crescente escassez de matérias-primas. Antes da guerra, aproximadamente 20% dos hidrocarbonetos mundiais passavam por essa via, controlada por Teerã. No início da semana, o Irã criou oficialmente um órgão para supervisionar o Estreito, que passará a cobrar pedágio dos navios que desejarem atravessá-lo. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) reivindicou, nesta quinta-feira, uma zona controlada que se estende até as águas ao sul do porto emiradense de Fujairah, no Golfo de Omã, ponto estratégico para Abu Dhabi contornar o bloqueio de Ormuz. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o fechamento prolongado do estreito pode causar um "choque agroalimentar sistêmico", capaz de desencadear uma grave crise global nos preços dos alimentos.