
Mojtaba, filho de Khamenei, eleito novo Líder Supremo do Irã
Enquanto a atenção internacional se concentra nos efeitos políticos e econômicos da guerra do Irã, o regime em Teerã intensifica a repressão interna e acelera as execuções de prisioneiros. Ativistas e organizações de direitos humanos alertam para um cenário alarmante que se desenvolve longe dos holofotes globais. "Estamos acompanhando a situação dos direitos humanos no Irã com grande preocupação", disse o ativista norueguês-iraniano Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da organização Iran Human Rights. "Particularmente alarmantes são as execuções diárias de prisioneiros políticos, manifestantes e pessoas acusadas de espionagem", acrescentou.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã passou a ocupar o centro das atenções da comunidade internacional. O foco recai sobretudo sobre os desenvolvimentos políticos e econômicos, especialmente o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo — e os impactos sobre o fornecimento global de energia. O que ocorre dentro das fronteiras do país desperta muito menos interesse.
"Numa situação em que a comunidade internacional dedica atenção apenas limitada às violações de direitos humanos dentro do Irã, a República Islâmica utiliza essa margem para executar prisioneiros com o menor custo político possível", afirma Amiry-Moghaddam. Já em 2025, o número de execuções havia atingido níveis que não se viam há décadas: de acordo com a Iran Human Rights, ao menos 1.639 pessoas foram executadas, o maior número em 35 anos. E a situação continuou a se agravar.
Segundo o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, cerca de 4 mil cidadãos iranianos foram detidos desde o início da guerra sob o pretexto de "razões de segurança", e ao menos 21 pessoas foram executadas. À sombra do conflito, um clima de medo se instalou no país. "Nem ouso imaginar o que as execuções sucessivas dos últimos dias provocaram na atmosfera das alas políticas das prisões", afirmou Zia Nabavi, um dos mais conhecidos ativistas estudantis de direitos civis no Irã, que foi preso várias vezes nos últimos anos.
Ele está entre os poucos ativistas que, apesar das severas restrições, continuam a se manifestar ocasionalmente nas redes sociais. A internet está fortemente restrita no Irã desde o fim de fevereiro. O regime intensificou as ações contra conexões feitas por VPN e terminais via satélite, que permitem contornar a censura estatal, dificultando consideravelmente a comunicação dentro e fora do país. "Por meio da colaboração com colegas no Irã, com os quais só conseguimos entrar em contato com muita dificuldade, ficamos sabendo que o andamento dos processos judiciais de prisioneiros políticos foi acelerado e, ao mesmo tempo, tornou-se mais opaco", disse o advogado de direitos humanos Saeid Dehghan.
"Isso permite que sentenças de morte sejam pronunciadas e executadas mais rapidamente." Dehghan, que vive no Canadá, é fundador da rede YekKalameh Lawyers Network ("Uma Palavra") e atua, junto com advogados iranianos de direitos humanos, na documentação de violações de direitos civis pelo regime. Diversos juristas independentes que atuam em questões políticas também foram presos ou convocados para interrogatório, sendo sistematicamente intimidados pelo aparato de segurança. "A pressão sobre prisioneiros políticos doentes aumentou.
Um exemplo disso é Narges Mohammadi, que sofre de uma doença cardíaca." A ganhadora do Nobel da Paz Narges Mohammadi encontra-se hospitalizada em estado crítico. Outros prisioneiros políticos doentes, que aparentemente são tratados como reféns, também teriam, segundo as leis da República Islâmica do Irã, direito à liberdade condicional ou a solturas previstas em lei, segundo Dehghan.