
Inflação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O índice oficial de inflação do Brasil desacelerou a 0,67% em abril, após registrar alta de 0,88% em março, mês marcado pelos impactos iniciais da guerra no Irã. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e ficaram exatamente dentro do esperado pelo mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam inflação de 0,67% para abril, com estimativas variando entre 0,62% e 0,76%.
O resultado confirma uma desaceleração em relação ao mês anterior, ainda que pressões vindas de alimentos e combustíveis continuem no radar. Em 12 meses, o IPCA passou a acumular alta de 4,39%, ante 4,14% registrados até março, segundo o IBGE. O índice é a principal referência utilizada pelo BC (Banco Central) para a condução da política de juros no país. Com a inflação dando sinais de trégua antes do início do conflito no Irã, o BC havia iniciado um ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, que recuou a 14,5% ao ano em abril.
No entanto, a guerra segue sem resolução e, conforme analistas, pode influenciar tanto a duração quanto a intensidade dos próximos cortes na Selic. O conflito pressionou as cotações do petróleo no mercado internacional, elevando os custos de combustíveis no Brasil. A carestia de produtos como o óleo diesel gera temor de efeitos indiretos sobre a inflação, já que o combustível impacta diretamente o transporte de mercadorias pelas rodovias brasileiras, incluindo os alimentos.
No boletim Focus divulgado pelo BC na segunda-feira (11), as projeções do mercado financeiro para o IPCA de 2026 acumulam alta há nove semanas consecutivas. A expectativa subiu a 4,91% para o acumulado até dezembro, distanciando-se do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida de forma contínua pelo BC. O cenário preocupa o governo Lula (PT) em ano eleitoral. Após o início da guerra, o Executivo lançou um pacote de medidas com o objetivo de tentar conter a alta de parte dos combustíveis e atenuar os efeitos sobre os preços ao consumidor.