
Ibovespa | Foto: Ibovespa/Reprodução
O Ibovespa abriu a sessão desta sexta-feira, 15, em queda, acompanhando o clima de aversão ao risco no exterior, diante da ausência de sinais de distensão nas tensões entre Estados Unidos e Irã. O recuo mais expressivo do que o esperado no volume de serviços prestados no Brasil em março também não trouxe alívio ao principal índice da bolsa brasileira, que segue pressionado pelos riscos inflacionários impostos pelo conflito no Oriente Médio.
O petróleo avançava cerca de 3% durante a manhã. No cenário doméstico, o noticiário político permanece no radar dos investidores, com atenção voltada para os desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do já liquidado Banco Master. Analistas apontam que o episódio eleva o risco eleitoral e pode enfraquecer a perspectiva de alternância de poder em 2027, que vinha sustentando parte da confiança nos ativos brasileiros.
Por volta das 11 horas, o petróleo Brent subia 2,8%, cotado a US$ 108,70, enquanto as ações da Petrobras avançavam entre 1,09% (PN) e 1,60% (ON). Em sentido contrário, os papéis da Vale recuavam 2,58%, contaminando as demais ações ligadas ao minério de ferro, que fechou com queda de 0,67% na bolsa de Dalian, na China. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira que o volume de serviços prestados caiu 1,2% em março, resultado bem abaixo do piso das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que apontava recuo de 0,6%.
O dado reforça a cautela em relação a um ciclo mais amplo de cortes na taxa Selic, diante do ambiente inflacionário global. No exterior, após três dias de visita à China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter fechado "grandes acordos comerciais" com o país durante reuniões com o presidente chinês, Xi Jinping, sinalizando expectativa de aumento das compras chinesas de produtos americanos, especialmente aeronaves e soja. A cautela nos mercados brasileiros também reflete o noticiário político da semana, conforme avaliou João Carlos Oliveira, chefe da mesa de operações do Moneycorp.
Na quarta-feira, os ativos pioraram após o vazamento de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para concluir um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador negou, na quinta-feira, que os recursos do filme tenham sido repassados ao irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos desde o ano passado. "A dúvida é saber para onde foi o dinheiro. E, da parte de fundamentos, o dólar está se valorizando lá fora e isso afeta o real, que perde um pouco, ao mesmo tempo que o petróleo avança para US$ 108 o barril, o Brent", disse Oliveira.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mantém o risco eleitoral no radar dos investidores. Em sua análise, a crise enfraquece a tese de alternância em 2027 que vinha sustentando os ativos brasileiros, ao mesmo tempo em que o governo acelera medidas populares com potencial custo fiscal. Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, destacou o cenário "muito diferente" para o dólar nos últimos dois dias, com a moeda chegando a operar abaixo dos R$ 4,90. "Tivemos uma reviravolta política que pegou o mercado e que é um dos principais pontos que tem feito a moeda subir", afirmou.
Às 11h13, o dólar subia 1,46%, a R$ 5,0596, após atingir máxima de R$ 5,0761. Na agenda externa, o destaque ficou para a produção industrial dos Estados Unidos e o índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições da manufatura no Estado de Nova York. O indicador subiu para 19,6 em maio, ante 11 em abril. Também ficaram no foco os balanços do Nubank, MRBF e Grupo Pão de Açúcar. Não se descarta maior volatilidade ao longo do dia com o vencimento de opções sobre ações, evento que costuma afetar sobretudo os papéis mais líquidos, como Vale e Petrobras. Na véspera, o Ibovespa havia fechado em alta de 0,72%, aos 178.365,86 pontos, acumulando desvalorização semanal de 3,12%. No horário citado, o índice cedia 1,06%, aos 176.466,36 pontos, após mínima em 175.568,76 pontos.