
Foto: José Cruz/Agência Brasil
A Febraban negocia com o governo federal uma nova linha de financiamento de veículos destinada a taxistas e motoristas de aplicativo, com juros abaixo da taxa Selic. Segundo o presidente da entidade Isaac Sidney, o BNDES será o gestor do programa, e as operações devem contar com garantia do FGI — fundo que tem como objetivo reduzir o risco das operações e, consequentemente, contribuir para a redução do custo do crédito. O presidente da Febraban destacou que o desenho do programa ainda está em fase de discussão com o governo.
"Os detalhes dessas linhas estão sendo tratados entre o governo e a indústria financeira. O BNDES será o gestor desse programa, será uma linha com garantias de um fundo, outro fundo distinto do fundo que garante as operações no âmbito do Desenrola, agora é o FGI. Nós estamos tratando com o governo para que possamos ter um equilíbrio do ponto de vista das taxas que podem ser praticadas para esse cliente, para esse motorista", afirmou Isaac Sidney. As informações são do UOL.
A Febraban ressaltou que as negociações envolvem não apenas a entidade, mas também outras organizações que representam financeiras, fintechs e instituições de menor porte. Isaac Sidney informou ainda que o vice-presidente Geraldo Alckmin visitaria a entidade na segunda-feira (18) para discutir o tema. "O governo entrou em contato conosco já há alguns dias, para que nós pudéssemos, a exemplo do que foi feito com o novo programa do Desenrola para as famílias, fazer um desenho, um esboço de condições financeiras, de condições econômicas para essa linha de financiamento de carros para motoristas de táxis e de aplicativos", explicou Sidney.
O presidente da Febraban comparou a possível nova linha com o mercado tradicional de financiamento de veículos. Ele destacou que o setor cresceu cerca de 20% ao ano nos últimos dois anos e que, no mercado convencional, os juros giram em torno de 25% ao ano. "As taxas de juros do mercado normal, da linha normal de financiamento giram em torno de 25% ao ano. Tudo caminha para que nós tenhamos uma taxa de juros dessa nova linha de crédito um pouco abaixo da Selic, mas são dados que estamos ainda tratando com o governo", disse Isaac Sidney.
A estrutura de garantias também foi abordada por Sidney. Ele afirmou que o próprio veículo financiado pode ser incluído como garantia, o que reduziria o risco de crédito e ajudaria a diminuir o valor das parcelas. Além disso, o governo ficará responsável por um cadastro dos profissionais elegíveis ao programa. "Também estamos verificando se é possível agregar esse veículo como garantia dessa linha de financiamento, isso diminuiria o risco de crédito, a possibilidade de entrada também, porque diminuiria o valor das parcelas. Haverá um cadastro, o governo ficará responsável por esse cadastro", detalhou o presidente da Febraban.
Sidney evitou antecipar valores e condições que ainda não foram anunciados oficialmente, deixando ao governo a responsabilidade pela divulgação do programa. "A imprensa anunciou algo como 30 bilhões de reais e financiamentos que podem chegar até 150 mil, mas tudo isso será anunciado pelo governo, portanto não nos caberia agora fazer antecipações", declarou. O presidente da Febraban também justificou a diferença nas condições de crédito para esse público específico.
Para ele, a destinação profissional do veículo altera a avaliação do risco e pode justificar juros mais baixos do que os praticados em compras sem finalidade de trabalho. "Haveria aí uma justificativa na medida em que esse financiamento estaria sendo feito para profissionais, para pessoas que dependem de um veículo para trabalhar. É bem diferente de alguém que compra um carro, financia e aquele carro não tem uma destinação profissional", concluiu Sidney. As negociações entre a Febraban e o governo federal seguem em andamento, com a expectativa de que os detalhes finais do programa sejam divulgados em breve pelas autoridades competentes.