
Influencer Deolane Bezerra - Reprodução/Redes Sociais
A defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra se pronunciou na noite de quarta-feira após a prisão dela, ocorrida por suspeita de envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Em nota, os advogados que a representam afirmaram a "absoluta inocência" da cliente e garantiram que os "fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno".
A equipe jurídica classificou as medidas tomadas contra Deolane como "desproporcionais". Durante a audiência de custódia realizada na mesma data, os advogados solicitaram a libertação dela com base no argumento de que ela possui uma filha menor de 12 anos. Existe entendimento no STJ (Superior Tribunal de Justiça) de que mães de filhos menores de 12 anos podem cumprir pena em prisão domiciliar pela "presunção legal de cuidado materno".
A defesa não deixou claro se protocolaria um pedido de habeas corpus para a influenciadora. A nota foi assinada por Daniele Bezerra, advogada e irmã de Deolane, além de outros cinco advogados. Dois escritórios de São Paulo representam a influenciadora no caso. Deolane teve a prisão validada na audiência de custódia e está recolhida na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo. A expectativa é de que ela seja transferida para o Presídio Feminino de Tupi Paulista, localizado a mais de 600 km da capital paulista.
Deolane foi presa no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público. Além dela, familiares de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e o próprio líder do PCC foram alvos de mandados de prisão preventiva. As investigações tiveram origem na apreensão de bilhetes e manuscritos ligados ao PCC, recolhidos há sete anos em um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
Os bilhetes apreendidos em 2019 levaram à abertura de três inquéritos policiais, por meio dos quais a polícia descobriu detalhes da estrutura financeira da facção e identificou operadores financeiros do grupo criminoso. Os manuscritos foram encontrados com dois presos e continham ordens internas da facção, além de contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos. Um dos bilhetes, localizado na cela de Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano, afirmava que "aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto", ex-diretor de uma unidade prisional que era alvo de um plano de atentado.
A menção à transportadora levou as autoridades a investigar empresas do setor próximas à penitenciária. No inquérito, identificou-se Elidiane Saldanha Lopes Lemos, sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda. Segundo a polícia, a apuração avançou a partir dessa empresa e revelou que ela não era apenas uma prestadora de serviços, mas uma "criação da própria facção". Embora os bilhetes não mencionassem o nome de Deolane diretamente, eles foram o ponto de partida que permitiu às autoridades chegarem até ela em fases posteriores da investigação.
Deolane foi identificada como beneficiária de valores oriundos da transportadora. Segundo os autos, ela teria recebido recursos da empresa, descrita pelas autoridades como criada para operar o "branqueamento de recursos ilícitos". Para os investigadores, ela atuava como um "caixa do crime organizado". De acordo com as apurações, o dinheiro do crime era depositado em sua conta para se misturar com outros valores e ser devolvido em momentos oportunos. Fontes da Polícia Civil afirmaram que Deolane "sentiu o baque" ao descobrir que os mandados tinham relação com uma transportadora.
Uma das principais evidências apontadas pela polícia é a inexistência de qualquer contrato formal, mesmo diante da grande movimentação financeira registrada. A irmã de Deolane, Daniele Bezerra, afirmou que "tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações". Em publicação nas redes sociais, ela disse que a prisão nasce de alegações "cercadas de ilações, narrativas e perseguições".