
Foto: Instagram/Reprodução
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi apontada pela investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) como uma espécie de "caixa" do Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, que resultou na prisão de Deolane na manhã desta quinta-feira (21), tinha como objetivo combater a lavagem de dinheiro da organização criminosa.
Por ser uma figura pública de grande visibilidade, Deolane era utilizada para "esconder" depósitos de valores ilícitos do PCC. Integrantes da organização depositavam recursos nas contas da influenciadora, onde o dinheiro se "misturava" com outras movimentações financeiras e, posteriormente, retornava ao crime organizado. Segundo a Polícia Civil, Deolane teria aberto 35 empresas fantasmas no mesmo endereço para viabilizar o esquema de lavagem de dinheiro.
Ela ainda não prestou depoimento, e o material apreendido será analisado antes da oitiva. A previsão é de que ela seja transferida para uma penitenciária em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.
A apuração teve início em 2019, quando a polícia apreendeu bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois detentos. O material revelava a dinâmica interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações de ataques contra agentes públicos. A partir dessas informações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos que aprofundaram gradualmente a estrutura criminosa investigada. Os bilhetes apreendidos indicavam repasses financeiros para diferentes contas, sendo duas delas ligadas ao nome de Deolane.
Há também mandado de prisão contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção e que já se encontra preso, além de familiares dele. Conforme o Ministério Público de São Paulo, comprovantes das movimentações financeiras foram encontrados no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado pelos investigadores como operador central do esquema financeiro da organização criminosa.
Além de Deolane, estão entre os alvos da operação:
- Everton de Souza, vulgo Player, apontado como operador financeiro, com mandado de prisão cumprido;
- Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, com mandado de prisão cumprido em penitenciária federal;
- Alejandro Camacho, irmão de Marcola, com mandado de prisão cumprido em penitenciária federal;
- Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, foragida e supostamente na Espanha, com mandado de prisão incluído na Difusão Vermelha;
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, foragido e supostamente em Madri, com mandado de prisão incluído na Difusão Vermelha.
Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil, com manifestação favorável do Ministério Público, obteve da Justiça a decretação de diversas medidas:
- 6 prisões preventivas;
- Bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões;
- Sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões;
- Apreensão e restrição de 4 imóveis.
A operação representa um dos maiores esforços recentes das autoridades paulistas no combate à lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado, com um volume expressivo de bens bloqueados e múltiplos mandados de prisão cumpridos.