
Veja fotos de Daniel Vorcaro na cadeia, sem barba e com cabelo aparado
A transferência de Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, intensificou a pressão sobre o ex-banqueiro para que apresente uma delação premiada mais sólida no inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master. A mudança foi motivada pela avaliação dos investigadores de que a primeira proposta de colaboração apresentada pela defesa trouxe poucos fatos novos e contribuiu pouco para o avanço das apurações, de acordo com relatos de pessoas próximas à investigação.
Até o momento da transferência, Daniel Vorcaro ocupava uma sala reservada do estado-maior da PF, onde ficava sozinho e tinha acesso ampliado aos seus advogados. Com a mudança para a cela comum, as visitas da defesa foram limitadas a dois encontros diários de 30 minutos cada. Nos bastidores, investigadores avaliam que a possibilidade de retorno a um espaço separado — ou até mesmo a eventual concessão de prisão domiciliar — dependerá da apresentação de novas provas e de detalhes adicionais sobre o suposto esquema investigado.
A expectativa inicial da defesa era negociar benefícios após a entrega da proposta de colaboração premiada. O resultado, porém, foi o oposto: após o envio do material à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, o ministro André Mendonça autorizou a transferência de Daniel Vorcaro para a cela comum. A permanência de Vorcaro na sala reservada era justificada pela necessidade de reuniões frequentes com os advogados para a elaboração dos termos da delação. Com a formalização da proposta, os investigadores passaram a considerar que não havia mais razão para a manutenção do benefício. A avaliação interna da PF é de que as investigações sobre as supostas fraudes no Banco Master já avançaram de forma significativa, e que uma eventual colaboração de Daniel Vorcaro só terá utilidade se vier acompanhada de informações inéditas e provas concretas.