Pacheco espera conversa com Lula para bater martelo sobre candidatura
Apesar de declarações do PT de que não conta com Pacheco para Minas, auxiliares do senador dizem que nenhuma decisão foi tomada
Apesar de o presidente nacional do PT, Edinho Silva, ter declarado que o partido não conta mais com a candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao governo de Minas Gerais, fontes próximas ao senador garantem que nenhuma decisão final foi tomada. O que pode mudar o rumo dos acontecimentos é uma conversa com o presidente Lula (PT), ainda sem data definida, mas esperada para os próximos dias. Edinho Silva e Pacheco já tiveram uma conversa recente, na qual o presidente do PT questionou a disposição do senador para a disputa eleitoral.
A resposta não foi animadora. Mesmo assim, auxiliares do ex-presidente do Congresso ressaltam que isso está longe de representar uma decisão definitiva sobre o futuro político de Pacheco. Antes de uma conversa com Lula, porém, Pacheco aguarda a articulação que ocorre nos bastidores para um encontro entre o presidente da República e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Esse movimento pode atrasar os planos. Auxiliares de Pacheco avaliam que a declaração de Edinho Silva atrapalhou as conversas em andamento nos diretórios locais, mas reforçam que o cenário ainda está aberto.
Para entender o processo decisório de Pacheco, auxiliares recorrem a um episódio de agosto de 2018. Dias após ter anunciado em convenção que seria candidato ao governo de Minas Gerais, Pacheco recebeu três figuras de peso: Geraldo Alckmin (então candidato à Presidência pelo PSDB), Rodrigo Maia (então presidente da Câmara) e ACM Neto (então presidente do Democratas). O pedido dos três era que Pacheco abrisse mão de concorrer ao governo mineiro para dar lugar a Antônio Anastasia, com o objetivo de fortalecer o palanque de Alckmin.
Àquela altura, Pacheco já havia colocado a campanha nas ruas. Santinhos e propagandas espalhadas pela cidade traziam o slogan: "nem um, nem outro", numa tentativa de se posicionar como a chamada terceira via. Pacheco resistiu por um tempo, mas acabou sendo convencido a desistir. O resultado foi que Alckmin e Anastasia perderam, enquanto Pacheco se elegeu senador e chegou à Presidência do Senado.
Para auxiliares de Pacheco, esse episódio demonstra que ele ainda pode ser convencido a mudar de posição. E uma conversa com Lula, segundo essas fontes, tem potencial para alterar completamente o cenário. Há ainda uma curiosidade no paralelo histórico: Alckmin, que esteve presente naquele momento decisivo de 2018, continua na cena política e agora é correligionário de Pacheco no PSB. A presença do vice-presidente na eventual conversa pode ser um fator relevante para que Pacheco bata o martelo sobre seu futuro.



