
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Apesar de o presidente nacional do PT, Edinho Silva, ter declarado que o partido não conta mais com a candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao governo de Minas Gerais, fontes próximas ao senador garantem que nenhuma decisão final foi tomada. O que pode mudar o rumo dos acontecimentos é uma conversa com o presidente Lula (PT), ainda sem data definida, mas esperada para os próximos dias. Edinho Silva e Pacheco já tiveram uma conversa recente, na qual o presidente do PT questionou a disposição do senador para a disputa eleitoral.
A resposta não foi animadora. Mesmo assim, auxiliares do ex-presidente do Congresso ressaltam que isso está longe de representar uma decisão definitiva sobre o futuro político de Pacheco. Antes de uma conversa com Lula, porém, Pacheco aguarda a articulação que ocorre nos bastidores para um encontro entre o presidente da República e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Esse movimento pode atrasar os planos. Auxiliares de Pacheco avaliam que a declaração de Edinho Silva atrapalhou as conversas em andamento nos diretórios locais, mas reforçam que o cenário ainda está aberto.
Para entender o processo decisório de Pacheco, auxiliares recorrem a um episódio de agosto de 2018. Dias após ter anunciado em convenção que seria candidato ao governo de Minas Gerais, Pacheco recebeu três figuras de peso: Geraldo Alckmin (então candidato à Presidência pelo PSDB), Rodrigo Maia (então presidente da Câmara) e ACM Neto (então presidente do Democratas). O pedido dos três era que Pacheco abrisse mão de concorrer ao governo mineiro para dar lugar a Antônio Anastasia, com o objetivo de fortalecer o palanque de Alckmin.
Àquela altura, Pacheco já havia colocado a campanha nas ruas. Santinhos e propagandas espalhadas pela cidade traziam o slogan: "nem um, nem outro", numa tentativa de se posicionar como a chamada terceira via. Pacheco resistiu por um tempo, mas acabou sendo convencido a desistir. O resultado foi que Alckmin e Anastasia perderam, enquanto Pacheco se elegeu senador e chegou à Presidência do Senado.
Para auxiliares de Pacheco, esse episódio demonstra que ele ainda pode ser convencido a mudar de posição. E uma conversa com Lula, segundo essas fontes, tem potencial para alterar completamente o cenário. Há ainda uma curiosidade no paralelo histórico: Alckmin, que esteve presente naquele momento decisivo de 2018, continua na cena política e agora é correligionário de Pacheco no PSB. A presença do vice-presidente na eventual conversa pode ser um fator relevante para que Pacheco bata o martelo sobre seu futuro.