
dólar
O dólar abriu em baixa nesta sessão, cotado a R$ 4,95, em movimento influenciado pela divulgação da ata do Copom, documento em que o Banco Central explica os motivos que levaram à redução dos juros na semana passada. No cenário externo, o preço do petróleo tipo Brent segue acima de US$ 110 o barril, pressionado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos. A moeda americana iniciou os negócios cotada a R$ 4,949, registrando queda de 0,38% em relação ao fechamento do dia anterior. O dólar segue próximo à menor cotação frente ao real nos últimos dois anos.
Segundo analistas, a entrada de recursos estrangeiros no Brasil em meio à guerra tem sustentado a divisa brasileira. No acumulado do ano, a cotação recuou de R$ 5,49 para o patamar atual, uma desvalorização de quase 10%.
Na Bolsa ICE Intercontinental Exchange, o contrato futuro com vencimento em julho do barril do petróleo tipo Brent era negociado por volta das 9h a US$ 112,48, queda de 1,7%. Ainda assim, o contrato segue acima dos US$ 110, patamar que não era atingido desde 2022 e que voltou a ser registrado após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, deflagrada no último dia de fevereiro deste ano.
O mercado teme que o fornecimento continue prejudicado em razão do conflito no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã disputam o controle do Estreito de Hormuz, rota marítima na costa iraniana por onde passa 20% do fornecimento mundial de petróleo. Atualmente, o fluxo na região representa apenas um quinto das 150 passagens que ocorriam em média antes da guerra.
Na última ocorrência registrada, um incêndio e uma explosão danificaram um navio sul-coreano na área. Várias embarcações na região foram recentemente atacadas em meio ao conflito. Raghib Raza, analista editor da MarineTraffic Kpler, explica que "qualquer explosão ou incêndio a bordo de um navio nessas águas é automaticamente tratado como um possível incidente de segurança até que os fatos possam ser verificados".
No cenário interno, a ata do Copom divulgada nesta sessão influencia os negócios. O Banco Central publicou o documento em que justifica a decisão de reduzir a Selic, taxa básica de juros, tomada no encontro do Comitê de Política Monetária na semana passada. No texto, os diretores do órgão destacam que a guerra no Oriente Médio agravou os riscos de aumento da inflação no país. Caio Megale, economista-chefe da XP, avalia que "o Copom parece particularmente preocupado com os efeitos do atual choque do petróleo sobre as expectativas de inflação para 2028". Segundo ele, "esse elemento pode dar origem a uma discussão sobre a extensão do horizonte de convergência", e acrescenta: "consideramos que essa discussão seria legítima, dado a intensidade e a persistência do choque global de petróleo". No mercado de ações, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira B3, fechou o dia anterior com queda de 0,9%. O indicador acumula recuos em março, a primeira baixa mensal desde julho do ano passado, e também em abril, refletindo o cenário de incertezas globais.