
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A Polícia Federal identificou, no âmbito de uma investigação sobre sonegação e corrupção envolvendo a Refit, conglomerado do setor de combustíveis controlado por Ricardo Magro, um repasse de R$ 14,2 milhões para uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo. O pagamento partiu da empresa de imóveis Athena, ligada à Refit e apontada como "principal beneficiária" de um dos fundos do grupo, e foi destinado à empresa Agropecuária e Imóveis, associada a Ciro Nogueira.
A empresa receptora não informou o motivo pelo qual recebeu os valores. Ricardo Magro, controlador do conglomerado de combustíveis, confirmou o pagamento quando procurado pela reportagem. Segundo ele, a transação se refere à venda de um terreno para a construção de uma distribuidora de combustíveis, realizada "de forma regular e declarada às autoridades".
Magro está atualmente no exterior e é considerado foragido, pois responde a investigações por fraudes, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro. O contrato de venda teria sido assinado em 2024 pelo irmão do senador, Raimundo Nogueira. À época da transação, Ciro Nogueira afirma que detinha apenas 1% de participação na empresa. Atualmente, ele não figura mais como acionário, mas os donos do negócio são familiares do parlamentar.
O fundo investigado também é alvo da Operação Sem Refino. Já o senador Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto da Operação Compliance Zero, que envolve o escândalo do Banco Master. As investigações seguem em curso, com a Polícia Federal apurando possíveis irregularidades nas movimentações financeiras entre as empresas ligadas à Refit e os envolvidos no esquema.