
Foto: Arquivo/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) afirma que a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. funcionava como uma estrutura de fachada para ocultar patrimônio e operacionalizar vantagens financeiras destinadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O esquema é investigado pela operação Compliance Zero, que teve o parlamentar como alvo em uma nova fase deflagrada na quinta-feira (7/5), autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão judicial revela a CNLF como o principal elo financeiro entre Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo a PF, a companhia não possuía funcionários registrados, operava em endereço vinculado a outra empresa da família do senador e teria sido utilizada para "lavagem de dinheiro, ocultação e dissimulação de patrimônio". Em razão das suspeitas, as atividades da empresa foram suspensas judicialmente.
De acordo com os investigadores, a CNLF recebia repasses mensais ligados ao núcleo empresarial de Daniel Vorcaro. A chamada "Parceria BRGD/CNLF", citada na decisão judicial, previa inicialmente transferências de R$ 300 mil mensais, valor que posteriormente teria subido para R$ 500 mil por mês. Mensagens interceptadas pela PF mostram que Vorcaro tratava os pagamentos como prioridade. Em uma das conversas anexadas ao processo, o banqueiro afirma que os repasses eram "muito importantes". Para os investigadores, os valores eram incompatíveis com qualquer atividade econômica regular da empresa. Outro ponto central da investigação envolve a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF em abril de 2024.
Segundo a PF, a participação foi adquirida por apenas R$ 1 milhão, embora tivesse valor de mercado estimado em aproximadamente R$ 13 milhões. A operação foi realizada por meio de instrumento particular, conhecido como "contrato de gaveta", sem registro público imediato. A PF sustenta que a estratégia visava evitar o rastreamento por órgãos de fiscalização financeira e patrimonial. A decisão judicial aponta que a CNLF era administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira, mas indica que o principal beneficiário das movimentações seria o próprio senador.
Segundo a investigação, a empresa servia como braço patrimonial do núcleo familiar de Ciro Nogueira. A nova fase da operação Compliance Zero foi deflagrada no Distrito Federal, no Piauí, em São Paulo e em Minas Gerais. Além das buscas e apreensões, a decisão do ministro André Mendonça determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens e valores ligados aos investigados.