
A Corte de Cassação de Roma negou a extradição de Carla Zambelli (PL-SP) e determinou a soltura da ex-deputada. A decisão surpreendeu a própria defesa, que esperava um desfecho diferente.
O advogado Fabio Pagnozzi classificou o resultado como "uma grande surpresa" e afirmou que a equipe jurídica tinha plena convicção de que a extradição seria aprovada. Em entrevista à CNN Brasil, Pagnozzi declarou que "hoje foi uma surpresa muito grande para mim, para todos nós da defesa".
O advogado também chamou a decisão de "uma vergonha" para o Brasil, explicando que a Justiça italiana entendeu que Zambelli é uma "perseguida política" no país.
O julgamento do recurso da defesa pela não extradição de Zambelli ocorreu na manhã desta quinta-feira. A audiência aconteceu a portas fechadas e contou com a participação de seis juízes.
A decisão foi tomada no âmbito da condenação pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A investigação concluiu que a ex-deputada contratou um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no sistema do CNJ.
Segundo Pagnozzi, as possibilidades de reverter a decisão são praticamente nulas.
"Não existe mais nada que o Brasil possa fazer. Podem até tentar se manifestar, mas dificilmente vão conseguir um fato novo para que a corte desista da própria decisão", afirmou o advogado.
A Justiça italiana avalia duas sentenças favoráveis à extradição de Zambelli em momentos distintos. A primeira decisão, de 26 de março, trata da condenação pela invasão do sistema do CNJ, e foi justamente esta que teve seu desfecho final nesta semana.
A segunda sentença, de 16 de abril, refere-se ao porte ilegal de arma e ainda irá a julgamento.
Neste segundo caso, se a Justiça decidir pela extradição, com o esgotamento das instâncias judiciais, caberá ao governo italiano a decisão final.
A palavra final será do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá 45 dias para se manifestar sobre o assunto.
