
Chocolate © Alexander Stein/Pixabay
Após um ano marcado por barras menores, mais wafers e alternativas com menos cacau, fabricantes de chocolate começam a retomar as receitas tradicionais. A mudança é impulsionada por uma queda de quase 70% nos contratos futuros de cacau em relação aos recordes registrados no fim de 2024, o que pode resultar em preços mais baixos para os consumidores, recuperação da demanda e redução no uso de substitutos com pouco ou nenhum cacau.
A fabricante americana Hershey"s anunciou planos de aumentar o teor de cacau em produtos que hoje funcionam como alternativas ao chocolate, chamados pela empresa de "chocolate candy". A decisão veio após o neto do fundador da Reese"s criticar publicamente a empresa pelas alterações na formulação de produtos icônicos da marca. A expectativa é que tanto os itens da Hershey"s quanto os da Reese"s voltem às receitas originais a partir do próximo ano.
Representantes e especialistas do setor alertam que outras empresas devem seguir o mesmo caminho. "Com os preços atuais do cacau, faz todo o sentido voltar a consumir chocolate de verdade", disse o consultor independente Roger Bradshaw. A fabricante de snacks Mondelez não respondeu aos pedidos de comentário sobre suas receitas, enquanto Nestlé e Ferrero também não se pronunciaram.
Após quase triplicarem e superarem US$ 12 mil (R$ 60,5 mil) por tonelada em 2024, puxados por problemas climáticos e doenças nas lavouras, os preços do cacau levaram fabricantes a reduzir o tamanho das barras, adicionar mais wafers, frutas e nozes, e lançar alternativas ao chocolate. As empresas também reduziram estoques, aumentaram preços e investiram em produtos como o ChoViva, uma alternativa ao chocolate sem cacau feita com sementes de girassol e aveia, desenvolvida pela startup alemã Planet A Foods e comercializada em parceria com a Barry Callebaut, maior fabricante de chocolate e processadora de cacau do mundo. Esse conjunto de movimentos derrubou a demanda por cacau e, segundo especialistas, ajudou a provocar a queda de cerca de 70% nos preços do grão em relação aos picos do fim de 2024.
A demanda pode atingir o menor nível em nove anos nos 12 meses até setembro, afirmou Steve Wateridge, especialista em cacau, à Reuters. A queda nos preços, no entanto, deve levar a uma recuperação a partir do segundo semestre. "É provável que todos os fatores que nos levaram a esses preços tão baixos se revertam", disse Wateridge.