
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
As exportações brasileiras de carne e derivados bovinos registraram recorde mensal em abril de 2026, com receitas de US$ 1,743 bilhão e crescimento de 28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em volume, foram embarcadas 319,23 mil toneladas, alta de 4% no período comparativo. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
Segundo a Abrafrigo, os números "mostram que o avanço dos preços internacionais continua impulsionando o desempenho do setor em ritmo superior ao crescimento físico dos embarques, refletindo movimentos de valorização da arroba do boi gordo e de valorização cambial". No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações totais chegaram a US$ 6,083 bilhões, crescimento de 31% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o volume total embarcado somou 1,146 milhão de toneladas, alta de 9%.
A carne bovina in natura, que representa 91% das exportações totais do setor, totalizou US$ 5,552 bilhões entre janeiro e abril de 2026, resultado 35% superior ao do mesmo período de 2025. O volume embarcado nessa categoria foi de 952,74 mil toneladas, aumento de 15,43% na mesma base de comparação. **China lidera, mas cota preocupa o setor** A China ampliou ainda mais sua liderança como principal destino das exportações brasileiras.
Entre janeiro e abril, os chineses importaram 461.185 toneladas de carne bovina brasileira, avanço de 19,4% sobre os resultados de 2025, enquanto as receitas cresceram 42,9%, alcançando US$ 2,693 bilhões. O país respondeu por 44,3% de toda a receita das exportações brasileiras do setor, ante 40,6% em 2025. Considerando apenas as vendas de carne bovina in natura, a participação da China subiu para 48,5% de janeiro a abril de 2026, frente a 45,85% do mesmo período do ano anterior.
Estima-se que, até abril de 2026, o Brasil tenha comercializado o equivalente a aproximadamente 70% da sua cota de 1,106 milhão de toneladas, estabelecida em virtude de medidas de salvaguardas aplicadas pelo governo chinês às importações do produto. Restariam, dessa forma, cerca de 330 mil toneladas a serem exportadas livres da tarifa extracota de 55%, o que representa algo como pouco mais de dois meses de exportações brasileiras para a China — ou seja, maio e junho, caso se mantenha a tendência dos últimos meses.
Esse cenário "tem causado dúvidas e preocupações em toda a cadeia produtiva da carne bovina brasileira", destacou a Abrafrigo. Os Estados Unidos, segundo maior mercado de exportação, também registraram crescimento. As vendas de carne bovina in natura para o país cresceram 14,7% de janeiro a abril de 2026, somando US$ 814,57 milhões. O volume embarcado avançou 14,24% no mesmo período, totalizando 135,64 mil toneladas. Considerando toda a cesta de produtos e derivados bovinos, as vendas para os norte-americanos alcançaram US$ 1,007 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026, alta de 16,7%.
O Chile teve uma das expansões mais consistentes entre os grandes mercados, com crescimento de 24,1% em volume e 35% em faturamento, totalizando US$ 286,1 milhões. A Rússia voltou a ganhar relevância, ocupando o quarto lugar nas exportações brasileiras, com alta de 46,9% nos embarques — 40.245 toneladas — e de 61,7% na receita, chegando a US$ 178,4 milhões. Na Europa, os Países Baixos consolidaram a quinta posição entre os maiores importadores, funcionando como importante porta de entrada da carne brasileira no continente.
As exportações para o mercado holandês dispararam 319,7% em volume — 28.883 toneladas — e 123,5% em faturamento, alcançando US$ 148,3 milhões. O país saltou da sétima para a quinta posição no ranking de compradores. No Oriente Médio, o Egito ampliou as compras em 53% em valor, para US$ 130,4 milhões, enquanto os Emirados Árabes elevaram os desembolsos em 53,5%, atingindo US$ 92 milhões. No Sudeste Asiático, a Indonésia chamou atenção pelo crescimento expressivo: alta de 788,9% em volume — de 1.687 toneladas para 15.000 toneladas — e de 412,5% na receita, alcançando US$ 41 milhões.
Na direção oposta, a Argélia registrou a maior retração entre os principais mercados. O faturamento das exportações caiu 59,4%, para US$ 54 milhões. Também houve recuos em mercados tradicionais como Arábia Saudita, Reino Unido, Singapura e Espanha. O Extremo Oriente manteve ampla liderança como principal destino da proteína bovina brasileira, com exportações somando US$ 2,86 bilhões, alta de 43%, impulsionadas sobretudo pela demanda chinesa. O Sudeste Asiático também ganhou relevância, com crescimento de 33% na receita, enquanto a Europa Ocidental avançou 42%, beneficiada pela forte expansão das vendas aos Países Baixos. No total, 112 países aumentaram suas aquisições de carne bovina brasileira, enquanto outros 52 reduziram suas compras no período.