
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
O afastamento de um perito da Polícia Federal suspeito de vazar dados apreendidos nos aparelhos de Daniel Vorcaro desarmou desconfianças internas no Supremo Tribunal Federal sobre a atuação do relator do caso Master, o ministro André Mendonça. A medida, autorizada pelo ministro, foi vista como um sinal claro de respeito aos limites legais e às garantias constitucionais no âmbito da investigação.
A dedicação da PF em preservar o sigilo do caso também foi reconhecida nas últimas semanas. O perito afastado é o terceiro agente da ativa que a corporação aparta de seus quadros no último mês sob suspeita de violação funcional ou atuação favorável a Vorcaro. De perfil discreto mas altivo, André Mendonça nunca evitou debates jurídicos com os integrantes mais antigos da corte.
Ao assumir o caso Master, ele reformulou o núcleo de investigação, abriu caminho para negociações de colaborações premiadas e viu surgir nos bastidores uma série de teorias sobre "intenções ocultas" ou mesmo sobre uma suposta disposição de atacar o próprio STF numa cruzada messiânica. A ação da PF desta terça-feira (19), autorizada pelo ministro, lançou água fria sobre a fervura interna. O perito identificado e afastado por ordem de André Mendonça é suspeito de ter avançado sobre os sigilos fiscal e contratual de familiares de ministros do Supremo, como Alexandre de Moraes.
A repercussão interna foi imediata. Na avaliação de integrantes e assessores da corte, a operação enviou um sinal muito claro pelo respeito estrito aos limites impostos pela lei a quem investiga — e também às garantias de inviolabilidade asseguradas pela Constituição a todo e qualquer cidadão. Com isso, André Mendonça sinalizou que não conduz a investigação de forma irresponsável ou com cortes cegos.
Certo da solidez dos dados, todos obtidos nos aparelhos de Vorcaro, o ministro tem avançado ao lado dos investigadores com pouca polêmica e muita assertividade. O cenário é de mau sinal para Vorcaro, que vê o valor de mercado de sua eventual delação desabar sempre que os dados extraídos de seus aparelhos falam mais alto do que qualquer palavra que já tenha emitido em juízo.