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O Datafolha divulgou nesta terça-feira (14/4) uma pesquisa revelando que 75% dos brasileiros consideram que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possuem poder além do necessário. Apesar dessa visão crítica, 71% dos entrevistados reconhecem a importância da corte para a proteção da democracia brasileira. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril em 137 municípios, mostra uma percepção ambivalente dos brasileiros em relação à mais alta corte do país. Com margem de erro de dois pontos percentuais, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo os dados coletados, enquanto três quartos dos entrevistados afirmam que os integrantes do STF têm poder em excesso, apenas 20% discordam dessa avaliação. Outros 2% dizem não concordar nem discordar, e 3% não souberam responder. Essa percepção crítica, no entanto, não impede que a maioria reconheça o papel fundamental da instituição, com 71% considerando o tribunal essencial para a proteção da democracia brasileira, contra 24% que discordam dessa afirmação. O estudo também revela uma percepção de erosão na confiança pública: para 75% dos entrevistados, as pessoas confiam menos no STF atualmente do que no passado.
Como essa questão específica foi incluída pela primeira vez na pesquisa, não há dados comparativos com levantamentos anteriores. A polarização política do país se reflete claramente nas opiniões sobre o STF. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 88% avaliam que o Supremo tem poder demais, enquanto entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esse índice é menor, mas ainda expressivo, chegando a 64%.
Quando o tema é a importância da corte para a democracia, o cenário se inverte. Entre eleitores de Lula, 84% afirmam que o STF é essencial para a democracia. No grupo de eleitores de Bolsonaro, esse percentual cai para 60%, ainda representando maioria nesse segmento. O levantamento também analisou a opinião dos que votaram em branco, nulo ou não escolheram candidato na última eleição presidencial. Nesse grupo, 67% apontam excesso de poder dos ministros, enquanto 73% reconhecem o papel do tribunal na defesa do regime democrático.