
sicário de vorcaro – Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão
A morte de Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, conhecido como Sicário, após atentar contra a própria vida em uma cela na sede da Polícia Federal em Minas Gerais, continua repercutindo intensamente. Enquanto familiares e a sociedade exigem esclarecimentos, a equipe responsável pela escolta do custodiado aguarda a retirada do segredo de justiça imposto pelo STF. Sicário havia sido preso após ser apontado como coordenador do núcleo de intimidação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Em entrevista exclusiva a O TEMPO na manhã de quarta-feira (22/04), o superintendente da PF em Minas, Richard Murad Macedo, defendeu a publicização do caso como forma de comprovar que não houve violação de direitos por parte dos agentes. "Uma coisa é fato: esse evento precisa ser cabalmente esclarecido. E será", afirmou. Ele complementou: "Eu posso afiançar a vocês que a Polícia Federal não tem casuística de abuso de autoridade de abuso, abuso de poder, de tortura ou de nenhum tipo de ação que de alguma forma ofenda os direitos individuais de quem quer que seja".
O representante dos agentes da PF em Minas Gerais viajou para Brasília nesta quinta-feira (23) para apresentar pessoalmente o inquérito concluído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) relator do Caso Master, André Mendonça.
Respeitando o sigilo imposto ao caso, Macedo não comentou detalhes específicos e a equipe de comunicação da PF em Minas informou que não há coletiva de imprensa marcada para tratar do assunto.
Conforme noticiado anteriormente, a PF concluiu que Sicário morreu em decorrência de asfixia após enforcamento ocorrido enquanto estava sob custódia. Mourão foi preso em março deste ano e, logo após assinar a procuração para constituir defesa no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, precisou ser socorrido às pressas após tentar se matar com a própria camisa. Ele chegou ao hospital ainda com vida, mas não resistiu.
A morte ocorreu em 6 de março e gerou forte comoção devido à relevância de Luiz Phillipi dentro do esquema considerado o maior escândalo de corrupção financeira já descoberto no país.
O corpo foi periciado no Instituto Médico-Legal (IML), mas o órgão não assinalou a causa da morte na declaração de óbito entregue à família, constando apenas a informação "aguardando exames". Os resultados desses exames constam nos laudos que subsidiam as investigações da PF.
Uma fonte com identidade preservada explicou que o inquérito se baseou em cinco laudos: dois do Instituto Médico-Legal e três de peritos federais.
Um dia antes da finalização oficial do inquérito, sem detalhar as investigações, Macedo explicou à reportagem que em momento oportuno "todos terão pleno acesso aos documentos para, a partir daí, poderem tirar as próprias conclusões".
Na visão dele, permitir amplo acesso aos processos de casos com grande repercussão possibilita que a população exerça "o controle sobre os órgãos do estado", comentando que a PF deseja ser fiscalizada. Ele afirmou, entretanto, respeitar e compreender o tempo necessário para o STF manter o sigilo, em função de informações relativas à investigação mais ampla sobre o Caso Master, que investiga fraudes no Banco Master e no INSS.
Segundo Macedo, além das provas periciais, a PF coletou depoimentos de diversas testemunhas, incluindo amigos e familiares de Luiz Phillipi. "Nós esgotamos todas as cadeias possíveis da linha de investigação. Esgotamos a dinâmica do evento, situações de uma eventual instigação ou auxílio ao suicídio ou algum fato que eventualmente tenha contribuido para a causa da morte", declarou.
Ele ressaltou ainda que toda a expertise da PF na coleta de provas técnicas foi disponibilizada para esta investigação.
O superintendente da PF, cuja unidade esteve no centro de questionamentos devido à morte de Sicário, foi categórico ao afirmar que Luiz Phillipe teve todos os direitos individuais respeitados enquanto esteve sob escolta da equipe dele. "Não é do viés da Polícia Federal, independentemente de quem seja, não garantir direitos individuais. Todos têm direito à vida e ao respeito à dignidade, inclusive os familiares. Inclusive, eu tenho muito tato para lidar com esse tema (suicídio) para não ofender a memória de quem quer que seja e em respeito aos que ficaram", declarou.
Para Macedo, assim que as investigações se tornarem de conhecimento público, "não vai emergir margem à dúvida sobre o que aconteceu e todo o esforço da nossa equipe para preservar a vida dele".
Ele concluiu garantindo que se houvesse algum indício de desrespeito à dignidade humana dentro da delegacia neste caso, "nós seríamos os primeiros a apurar e punir. A PF já deu várias provas, inclusive aqui em Minas, de cortar na própria carne".