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MC Ryan foi preso nesta quarta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo liderado pelo funkeiro utilizou o lucro do tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína enviadas ao exterior em um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso usava empresas de produção musical e entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos de origem ilícita.
Além do tráfico de entorpecentes, o dinheiro seria proveniente de bets e rifas digitais clandestinas, configurando um complexo sistema de lavagem. Com base nos indícios coletados, a 5ª Vara Federal de Santos determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores no montante de até R$ 2,6 bilhões. Este valor bilionário foi calculado especificamente sobre o lucro gerado pelo tráfico da droga, somado aos fluxos financeiros atípicos identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
A operação denominada "Narco Fluxo" mobilizou aproximadamente 200 policiais federais que cumpriram 90 mandados judiciais, entre buscas e apreensões e prisões temporárias. As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos e executadas em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. MC Ryan foi detido durante uma festa no bairro Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.
Outro funkeiro, MC Poze do Rodo, também foi preso no Rio de Janeiro como parte da mesma operação. Após a prisão, Ryan passou por exame de corpo de delito no litoral de São Paulo e posteriormente foi encaminhado para a sede da PF na capital paulista. Durante as diligências, foram apreendidos diversos itens: veículos de luxo que possivelmente foram adquiridos com dinheiro proveniente das atividades ilícitas; valores em espécie encontrados em diferentes endereços dos investigados; documentos que podem comprovar as transações financeiras suspeitas; equipamentos eletrônicos que serão periciados para coleta de mais evidências; armas que estavam em posse dos suspeitos; e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo, simbolizando a admiração pelo criminoso.
De acordo com as investigações, os envolvidos utilizavam um sistema sofisticado para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos, dificultando o rastreamento pelas autoridades. Em nota divulgada após a prisão, o advogado de MC Ryan, Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, informou que não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, "razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos".
No entanto, o defensor afirmou que todos os valores que transitam pelas contas do funkeiro possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, "o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável". A defesa de MC Ryan ainda declarou que confia que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, "a verdade dos fatos será devidamente demonstrada". A operação da Polícia Federal representa um importante golpe contra o esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as autoridades, movimentou mais de R$ 1,6 bilhão em transações ilegais. O caso segue sob investigação para identificar outros possíveis envolvidos e desmantelar completamente a organização criminosa.