
Lula discursa em um evento da COP30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a imigração durante seu discurso na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira, 20. Em um momento em que o tema causa polêmica no continente europeu e é ponto central nas eleições, Lula fez suas declarações ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, que já foi criticado diversas vezes por posicionamentos considerados anti-imigração.
"Somos um país criado por imigrantes junto com indígenas e com os negros. Não temos nada contra imigração. Sejam bem-vindos os que queiram chegar ao nosso país para trabalhar e produzir, os que querem defender a democracia, o multilateralismo e a paz", afirmou o presidente brasileiro na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover. O posicionamento de Lula contrasta com a postura de Merz, que desde que assumiu o poder em maio de 2025, tem adotado políticas mais restritivas em relação à imigração.
Em março deste ano, o chanceler alemão causou polêmica ao declarar que "nos próximos três anos, cerca de 80% dos sírios que moram na Alemanha devem voltar para seu país natal". Segundo ele, a situação na Síria "mudou fundamentalmente" e, por isso, a "necessidade de proteção (desses imigrantes) deve ser reavaliada". Atualmente, aproximadamente 950 mil sírios vivem na Alemanha. Além da retórica, Merz também implementou medidas concretas, como o aumento de 25% no número de deportações de imigrantes em 2025 em comparação com 2024, demonstrando na prática sua abordagem mais dura sobre o tema.
Durante seu discurso, Lula também abordou as ambições do Brasil no cenário global, expressando que o país está cansado de ser visto como pequeno ou em desenvolvimento. "Quando o Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e na oferta de combustível renovável ao mundo, não estamos falando pouca coisa. Estamos falando de um país que cansou de ser pequeno, em vias de desenvolvimento. Um país que cansou de ser tratado como terceiro mundo, como invisível", declarou o presidente.
O petista destacou o interesse brasileiro em fortalecer alianças com a Europa e a Alemanha, buscando relações "cada vez mais produtivas, eficazes e capazes de proporcionar aos nossos povos a perspectiva de um futuro mais promissor". Ele também mencionou a estabilidade da economia brasileira e a importância da participação na feira industrial para o compartilhamento de conhecimentos e tecnologias. "É com essa cara que viemos a Hannover. Primeiro para aprender o que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que somos capazes de fazer", afirmou Lula, acrescentando que "Brasil quer se transformar em uma economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e pequeno. Temos boa base intelectual, tecnológica, temos empresas extraordinárias como a Petrobras e a Embraer".
Aproveitando a oportunidade, o presidente brasileiro também comentou sobre os conflitos mundiais, pedindo união entre "todos que defendem o multilateralismo, que não querem guerra, querem paz, os que querem construir e não destruir, os que querem defender a vida, e não a morte, e pensam no futuro da humanidade humana". Lula ainda fez críticas às redes sociais e à disseminação de informações falsas, tema recorrente em seus pronunciamentos.
"A era do argumentou acabou, a era da verdade se esvaiu, estamos vivendo a era da fake news. Quanto menos verdade você falar, mais importante você passa a ser. E o mundo não pode ser dirigido por mentiras", concluiu o presidente. A participação de Lula na Feira de Hannover representa um esforço diplomático e comercial do Brasil para fortalecer laços com parceiros europeus, especialmente a Alemanha, em um momento de transformações globais e desafios compartilhados.