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O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, anunciou que a tarifa de energia da hidrelétrica será reduzida a partir de 2027. Durante entrevista concedida a jornalistas na sede da empresa em Foz do Iguaçu (PR), na segunda-feira (13), Verri informou que uma ata assinada entre Brasil e Paraguai prevê que o valor da tarifa considerará apenas os custos operacionais da usina, ficando entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês (kW/mês).
Atualmente, o Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) de Itaipu está definido em US$ 19,28 kW/mês para o período de 2024 a 2026, conforme aprovação do Conselho de Administração da usina. No entanto, a tarifa comercializada pelo lado brasileiro é de US$ 17,66 kW/mês, valor possibilitado por um aporte extra de US$ 285 milhões feito pela própria Itaipu para garantir a modicidade tarifária.
Esta estrutura tarifária está em vigor por um acordo temporário que vale até o fim de dezembro, quando os dois países sócios definirão a nova modelagem. No Brasil, a tarifa de repasse é o valor que as distribuidoras cotistas pagam para adquirir a energia da hidrelétrica, comercializada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar). O Tratado de Itaipu, firmado em 1973 entre Brasil e Paraguai, previa uma revisão do Anexo C após 50 anos. Este anexo regula as bases financeiras da usina e as regras para precificação e prestação dos serviços de eletricidade.
A geração de energia é igualmente dividida entre os dois países, mas o Paraguai não consome toda sua cota de 50%, tendo interesse em aumentar o valor da tarifa. Já o Brasil busca oferecer energia mais barata aos consumidores, considerando que Itaipu representa cerca de 8% da energia consumida no país. Ao comentar as negociações em andamento, Verri explicou que o Paraguai tem apresentado números positivos e espera utilizar a receita de Itaipu para investimentos em infraestrutura. Uma das possibilidades em discussão é permitir que a cota paraguaia da energia gerada pela usina possa ser vendida no mercado livre de energia do Brasil, diretamente para distribuidoras e empresas.
Segundo o tratado bilateral, as decisões da diretoria de Itaipu, composta por seis diretores brasileiros e seis paraguaios, devem sempre ocorrer por consenso. "Tem que ter muita negociação e, claro, é preciso muito cuidado no trato", ressaltou Verri. Os termos da revisão do Anexo C estão sendo negociados diretamente pelas altas instâncias dos dois países, envolvendo chanceleres e ministros de Minas e Energia. Quando concluída, a revisão ainda precisará ser aprovada pelos parlamentos de ambos os países. Itaipu possui 20 unidades geradoras de 700 megawatts (mW) cada, totalizando 14 mil megawatts (MW) de potência instalada.
É a terceira maior usina hidrelétrica do planeta em capacidade, mas frequentemente lidera o ranking das que mais produzem energia anualmente. A hidrelétrica atende 8% da demanda do mercado brasileiro e 78% do mercado paraguaio. Atualmente, Itaipu passa por um processo de atualização tecnológica, cujos detalhes foram apresentados durante visita às instalações. O plano começou a ser executado em maio de 2022 e tem previsão de conclusão para 2035, com investimentos totais de aproximadamente US$ 900 milhões.
As mudanças ocorrerão principalmente em equipamentos eletrônicos, alguns ainda analógicos da década de 1980, e nos sistemas computacionais. Equipamentos eletromecânicos pesados, como turbinas, e a própria barragem, com quase 200 anos de vida útil, não serão incluídos no projeto por estarem em excelentes condições. O projeto de modernização prevê também a atualização do centro de controle, das 20 unidades de geração de energia, a reforma de uma subestação de energia elétrica e a construção de almoxarifados para armazenar equipamentos.
A Itaipu Binacional estuda ainda a possibilidade de aumentar sua capacidade de geração de energia, seja com a eventual instalação de mais duas turbinas, o que demandaria complexos estudos de impacto socioambiental e econômico, ou com o aumento da produtividade das unidades geradoras atuais. "Quando elas foram feitas, 20 anos atrás, a ciência estava em um grau. Hoje, a ciência é outra. Então, você pode aumentar a produção ou a produtividade. Estamos preparando uma licitação para contratar um estudo internacional sobre isso", explicou Enio Verri. A redução da tarifa de Itaipu a partir de 2027 representa um marco importante nas relações energéticas entre Brasil e Paraguai, com potencial impacto positivo para os consumidores brasileiros, que poderão se beneficiar de energia mais acessível nos próximos anos.