
Explosão em aeroporto de Teerã, capital do Irã - Foto: Mehr News
Nas últimas horas antes do ultimato de Donald Trump para a reabertura do estreito de Hormuz expirar, Israel e o Irã intensificaram seus ataques contra infraestruturas petroquímicas no Oriente Médio, elevando significativamente o risco de uma crise energética global.
Israel bombardeou na manhã desta terça-feira (7/4) a segunda instalação petroquímica iraniana em apenas dois dias. Após a ação contra uma unidade próxima ao campo de gás de Pars Sul, o alvo foi uma usina em Shiraz que, segundo Tel Aviv, produzia insumos para explosivos.
Em resposta, o Irã atacou o complexo petroquímico de Jubail, no leste da Arábia Saudita, utilizando sete mísseis e vários drones, embora o governo de Riad ainda não tenha confirmado a extensão dos danos.
Esta escalada representa um pesadelo econômico para a região e o mundo. Quando Israel bombardeou unidades de processamento de gás iraniano em Fars Sul, aparentemente sem o consentimento dos parceiros americanos, a retaliação iraniana gerou pânico nos mercados.
Teerã alvejou o principal terminal de manejo e embarque de gás natural liquefeito do Qatar, líder mundial desta commodity, removendo de uma só vez quase 20% da capacidade produtiva do país.
Trump interveio e conseguiu que Israel prometesse não realizar mais ataques, contendo temporariamente a disparada nos preços do petróleo e do gás.
O Estado judeu sinalizou que deve aderir a um eventual ataque dos Estados Unidos caso os esforços para algum tipo de acordo com o Irã fracassem até as 21h desta terça-feira no horário de Brasília, prazo estabelecido pelo americano.
Nesta manhã, a conta persa das Forças de Defesa de Israel no X publicou um aviso alarmante para que os moradores evitem o uso de trens ao longo desta terça até as 21h no Irã (14h30 em Brasília): "Sua presença em trens ou perto de linhas férreas ameaça suas vidas".
Esta ameaça sem precedentes visa a infraestrutura ferroviária iraniana, que conta com aproximadamente 13 mil km de linhas bastante utilizadas entre centros urbanos como Teerã e Mashhad.
Trump ameaça bombardear a infraestrutura civil do país, afirmando que se o estreito de Hormuz não for reaberto para os 20% do tráfego de petróleo e gás natural liquefeito que por lá passavam, atacará pontes e usinas de energia.
O temor de retaliação se espalha rapidamente pela região. Os sauditas fecharam uma ponte que liga o país ao Bahrein nesta manhã, temendo que ela se torne alvo caso as negociações fracassem.
O Irã já declarou que usinas de dessalinização, vitais para o árido Oriente Médio, serão consideradas alvos legítimos caso a situação saia de controle.
Na segunda-feira (6/4), o republicano rejeitou uma contraproposta feita pelo Irã que exigia não apenas uma trégua de 45 dias, como os negociadores americanos pediam, mas o fim completo do conflito e a negociação de diversos pontos - retornando à lógica de troca entre limitações ao programa nuclear iraniano pelo fim das sanções econômicas.
Os esforços diplomáticos estão sendo concentrados pelo Paquistão, vizinho do Irã e principal aliado da China no Sul da Ásia. Pequim tem grande interesse no desenrolar da guerra, pois importava quase 15% do seu petróleo do Irã, mas simultaneamente busca um acordo comercial amplo com os EUA, visando restabelecer sua posição exportadora no mercado americano.
Nesta terça-feira, a mídia estatal iraniana informou que as conversas continuam com algum progresso e entraram em "estágios críticos", embora o histórico recente não permita muito otimismo.
Trump, por sua vez, tem se notabilizado por voltar atrás em seus ultimatos, tendo já alterado quatro vezes o prazo dado para a reabertura de Hormuz, tornada uma prioridade acima de seus objetivos iniciais declarados para ter começado a guerra ao lado de Israel, há cinco semanas.
Ao mesmo tempo, o americano tem escalado sua retórica, algo característico de seu método negociador. Afirmou que não se importa com possíveis acusações de crimes de guerra caso ataque alvos civis sem valor militar óbvio, prática que já ocorre de ambos os lados neste conflito.
A ONG iraniana no exílio americano Hrana divulgou nesta terça um balanço alarmante de mortos no país persa: 3.600 pessoas, sendo 1.665 delas civis.
O conflito continua se espalhando pela região, e nesta terça ao menos oito pessoas morreram em um bombardeio israelense no Líbano.
A situação permanece extremamente tensa enquanto o prazo final se aproxima, com ambos os lados aparentemente dispostos a intensificar as hostilidades caso não se chegue a um acordo diplomático nas próximas horas.