
Vista da Terra capturada por um membro da tripulação da Artemis II através da janela da espaçonave Orion — Foto: NASA
A missão Artemis II acaba de estabelecer um novo recorde histórico na exploração espacial. Nesta segunda-feira (6), os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion alcançaram a maior distância já registrada entre seres humanos e a Terra: 400.171 km, superando o recorde anterior mantido pela tripulação da Apollo 13 desde 1970. O marco ocorreu durante o sexto dia de voo, quando a nave já se encontrava dentro da esfera de influência gravitacional da Lua.
A bordo da Artemis II estão os astronautas americanos Reid Wiseman (comandante), Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. Esta é a primeira missão tripulada a deixar a órbita terrestre desde o programa Apollo, há mais de meio século.
Os principais marcos da missão incluem:
• Às 19h44 (horário de Brasília), a tripulação enfrentou uma perda temporária de sinal ao passar atrás da Lua, a aproximadamente 6.400 km da superfície lunar, um momento crítico durante o qual ficaram sem comunicação com o controle da missão.
• Às 20h07, a nave atingiu o ponto mais próximo da superfície lunar e, simultaneamente, a maior distância da Terra, estimada em aproximadamente 407.000 km (252.760 milhas), estabelecendo um novo recorde histórico para a humanidade.
• Às 20h25, a comunicação com a nave foi retomada após a Orion emergir do lado oculto da Lua, permitindo que a tripulação compartilhasse suas experiências com o controle da missão.
• Durante a noite, a equipe realizou uma sequência de observações científicas e iniciou o envio das primeiras imagens registradas durante o histórico sobrevoo lunar.
O dia começou de forma emocionante para os astronautas da Artemis II. Ao acordarem, foram recebidos com uma mensagem gravada pelo lendário astronauta Jim Lovell, das missões Apollo 8 e Apollo 13, que faleceu no ano passado aos 97 anos. "Bem-vindos à minha antiga vizinhança", disse Lovell na gravação. "É um dia histórico, e eu sei que vocês estarão ocupados — mas não se esqueçam de apreciar a vista. Boa sorte e que Deus os guie."
Durante o período de observações lunares, o astronauta Jeremy Hansen solicitou à equipe de controle de missão, em Houston, que nomeasse duas crateras visíveis da nave — uma a olho nu, outra com lentes de longo alcance. Uma delas recebeu o nome de Carroll, esposa do comandante Wiseman, falecida em 2020 aos 46 anos em decorrência de câncer. A outra foi batizada de "Integrity", em referência à própria cápsula Orion.
A missão Artemis II representa o primeiro voo tripulado do programa homônimo da NASA, que tem como objetivo principal retornar astronautas à superfície lunar até 2028, antes que a China o faça, e estabelecer uma presença americana permanente na Lua ao longo da próxima década. Essa base servirá como campo de testes para futuras missões a Marte. O voo atual não prevê pouso: a Orion sobrevoa a Lua em trajetória em forma de oito, coleta dados científicos e retornará à Terra.
Após completar o sobrevoo lunar, a Orion iniciará uma série de pequenas queimas dos motores para alinhar sua rota de volta. Ao longo dos próximos quatro dias, a nave percorrerá o caminho de regresso em trajetória descendente em direção à Terra. Antes de entrar na atmosfera, a cápsula tripulada se separará do Módulo de Serviço Europeu, responsável pela propulsão principal durante a viagem. A reentrada submeterá o escudo térmico a temperaturas extremas, até que paraquedas desacelerem a descida e a cápsula faça amerissagem no Oceano Pacífico, onde navios da Marinha americana estarão posicionados para resgatar a tripulação.
Este marco histórico da Artemis II não apenas quebra recordes de distância, mas também representa um passo crucial para o retorno da humanidade à Lua e para as futuras missões interplanetárias que a NASA planeja realizar nas próximas décadas.