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O Irã reforçou seu controle sobre o estratégico estreito de Ormuz ao apreender dois navios que tentavam cruzar a passagem marítima na quarta-feira (22). Esta ação ocorre em meio a tensões crescentes com os Estados Unidos, que mantêm um bloqueio aos portos iranianos. Teerã condiciona a reabertura do estreito e a retomada das negociações ao fim deste bloqueio americano, elevando a tensão global e pressionando os preços do petróleo. A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado informando que suas forças navais interceptaram duas embarcações que tentavam atravessar irregularmente o estreito de Ormuz. "As embarcações infratoras foram apreendidas e conduzidas à costa iraniana", afirmou o comunicado.
O Panamá confirmou que um dos navios apreendidos, o MSC Francesca, navegava sob sua bandeira e acusou Teerã de causar um "grave prejuízo" à segurança marítima internacional. Por outro lado, a Casa Branca minimizou o episódio. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que o presidente dos Estados Unidos não considera a apreensão uma violação do cessar-fogo em vigor. Esta postura contrasta com a reação panamenha e demonstra as diferentes interpretações sobre as ações iranianas. A apreensão dos navios representa uma resposta direta ao endurecimento do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.
O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) informou que as forças americanas "ordenaram que 31 navios retornassem ou voltassem aos seus portos no contexto do bloqueio americano contra o Irã". Segundo o Centcom, "a maioria dos navios cumpriu as instruções americanas", sendo grande parte deles petroleiros. Estas ações ocorrem após o anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre uma prorrogação por tempo indeterminado do cessar-fogo que deveria ter expirado no meio da semana. No entanto, autoridades iranianas não confirmaram se aceitaram esta extensão.
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, deixou clara a posição de Teerã ao afirmar que um cessar-fogo pleno só faz sentido com o levantamento do bloqueio aos portos iranianos. Em uma publicação nas redes sociais, ele classificou as sanções como uma "violação flagrante do cessar-fogo" e descartou qualquer reabertura do estreito de Ormuz enquanto elas continuarem em vigor.
O agravamento das tensões teve impacto imediato nos mercados internacionais, com os preços do petróleo subindo mais de 4% no início das negociações de quinta-feira (23) na Ásia, antes de perderem força. Por volta das 6h35 (GMT), o barril do West Texas Intermediate (WTI) era negociado a US$ 94,33, alta de 1,47%, enquanto o Brent subia 1,41%, a US$ 103,35, mantendo-se acima da marca simbólica de US$ 100. A situação é agravada por relatos da imprensa americana indicando que o Pentágono estima que a desminagem do estreito de Ormuz poderia levar até seis meses, o que teria impactos significativos sobre o comércio global de energia. De acordo com informações apresentadas em sessão confidencial no Congresso, o Irã pode ter instalado 20 ou mais minas marítimas na região, algumas delas posicionadas com auxílio de tecnologia GPS.
Um porta-voz do Departamento de Defesa negou essas informações reveladas pelo Washington Post, classificando-as como vazamentos imprecisos de um briefing reservado. Segundo ele, a hipótese de fechamento do estreito por seis meses é "impossível e totalmente inaceitável". No entanto, a Guarda Revolucionária já havia alertado, em abril, sobre a existência de uma "zona perigosa" de cerca de 1.400 quilômetros quadrados, onde minas poderiam estar espalhadas. Mesmo diante da possibilidade de uma eventual reabertura do estreito, empresas de transporte marítimo seguem adotando cautela.
Armadores afirmam que ainda faltam garantias claras sobre as rotas seguras e sobre a remoção de possíveis minas. Alguns países não envolvidos diretamente no conflito se disseram dispostos a participar de uma missão internacional neutra para garantir a segurança da navegação em Ormuz. Cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo passa pelo estreito, que se tornou o principal foco do conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques israelenses e americanos contra o Irã. O cessar-fogo entre Washington e Teerã entrou em vigor em 8 de abril. Em novo capítulo da crise, um alto dirigente do Parlamento iraniano afirmou que o país já começou a arrecadar pedágio para a travessia do estreito de Ormuz.
Segundo Hamidreza Hajibabaei, vice-presidente do Parlamento, os primeiros valores foram depositados na conta do Banco Central do Irã, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre os montantes arrecadados. A situação no estreito de Ormuz permanece incerta, com o Irã mantendo sua postura desafiadora frente às pressões internacionais. O impasse entre a exigência iraniana pelo fim do bloqueio aos seus portos e a manutenção das sanções americanas continua alimentando tensões que afetam diretamente o mercado global de petróleo e a segurança marítima internacional.